Nom se esperava e súbito lemos no nº 902 de A Nossa Terra ũa nota de Carme Vidal que
fala acerca dum foro de escritores -no que quadra salientar o nome de Carlos Casares- que
vem de debater e propor ũa reforma da normativa linguística para achegá-la à do
português. O que surpreende é ser precisamente Carlos Casares, presidente do Conselho da
Cultura Galega, por muito tempo defensor das normas oficiais, o que vem tomar a bandeira
antes tam demonizada, com ũa clareza e definiçom que corrobora o de que a realidade sói
superar a ficçom.
Dezoito escritores juntarom-se por segunda vez no foro Transatlântico: Encontro no
Finisterre, agora em Corcuviom, tratando do vínculo dos escritores com a língua. Do
debate surgiu a urgência da reforma ortográfica e de curar as "feridas"
causadas pola imposiçom da oficial. Destaca a cronista a cordialidade do diálogo,
qualificada de "inusual" polos próprios participantes. Conscientes do papel
principal dos escritores, qual profissionais da língua, e representando-se no seu seio o
conjunto das posições, coincidirom em que por vez primeira a reforma poderia atingir-se
por acordo. O ponto de partida parece ter sido o comprovar os prejuízos que o isolamento
lhe gera à língua; os escritores sabem do custe de negar-se à centuplicaçom do seu
público. Daí a inconsistência da norma aprovada "com urgência" há quase
vinte anos.
No último dia Carlos Casares qualificou a ortografia galega oficial de
"extravagante" e reiterou opiniões vertidas dias atrás na Universidade
Internacional Menêndez Pelayo defendendo a reforma, nada abstracta ou ambígua; pujo por
caso aceitar os emblemáticos NH e LH em vez dos Ñ e LL do castelhano.
A transcriçom em ortografia portuguesa dos parlamentos do Camilo Nogueira em Bruxelas e a
entrada, ainda cativa mas progressiva dos escritores galegos no mercado editor português,
forom arguidos para ilustrar o sentido do debate. Suso de Toro, coordenador das jornadas,
salientou que "desde determinadas posições que sustentarom a normativa oficial se
fijesse balanço e se empuxasse o câmbio. Entrar na UE, a queda das fronteiras, a
aproximaçom de Portugal -também do mundo empresário- está a abrir ũa realidade nova
que nom havia dez anos atrás. É paradoxo as teses reintegracionistas parecer mais
aceitas quando essa posiçom semelha mais debilitada. Houvo torpezas polas duas bandas e
muita intransigência e sectarismo. Agora cumpre fazer abstracçom das feridas anteriores
e encetar o debate com cordialidade". O reintegracionismo, para de Toro, está à
margem de posições políticas, "é útil e por isso pode ser defendido por
qualquer".
Carlos Quiroga, poeta, professor de filologia portuguesa, já antes reintegracionista,
sustivo que a mudança nom deve ser "só cosmética, mas também cultural, um
achegamento propício para nós, sem que por isso estejamos a defender o imperialismo
português". Saudou a cordialidade do encontro e a orientaçom do presidente do
Conselho da Cultura Galega. "Alguns assistentes mostravam insegurança, vários já
tinham escrito em diversas normas. Primou o argumento de que nos podemos abrir a um campo
linguístico enorme. Neste sentido, seríamos dentro da península os melhor
situados" assinalou de Toro. Quiroga comparte que os escritores "podem
contribuir a mudar a norma porque som participantes dela. É evidente que, em especial
para o ensino, é precisa ũa norma, às vezes também para rebentá-la e rompê-la na
literatura, peró está claro que o processo continua aberto".
"Quase todos os escritores somos lusistas do ponto de vista da persistência da
língua" dixo Xavier Queipo, outro dos participantes, que vem usando na narrativa a
normativa oficial. "Estou de acordo com Casares quando di que temos ũa norma
extravagante que nom se corresponde com o âmbito linguístico no que estamos. É ũa
esquizofrenia permanente e por isso defendo ũa reforma consensuada e pausada e que os
interlocutores trabalhem sem nenhum tipo de urgências."
Nós, os Amigos do Idioma Galego, recebemos com alvoroço estas iniciativas e opiniões
dos escritores, certos do caminho empreendido há tempo, mas também surpreendidos e algo
estranhados da maravilhosa precipitaçom dos acontecimentos. Recebamos os irmãos
recémchegados de braços abertos.
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FUCO GÓMEZ precursor do nacionalismo galego democrático |
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Ernesto Sábato exalta a memória
de Rosalia de Castro
A GRANDE POETA DUM POVO INJUSTAMENTE HUMILHADO
Muitas vezes tenhem-me escrito moços da Galiza, alguns em galego, e outros, menos, em
castelhano, aos que sempre instei a fazê-lo na sua língua materna, e assim contribuir ao
ressurgimento da sua pátria, avassalada por Castela; que nom tenham vergonha de fazê-lo,
como fijeram tantos imigrantes nesta terra, na que trabalharom duro na procura do pam, e
que na lastimada intimidade tinham saudades da sua terra.
Nom posso esquecer aquelas romarias da minha infância no meu povo pampeano, quando
cantavam e bailavam a sua morrinha, a nostalgia da terra distante, de todo aquilo que se
partira para nom volver.
Lástima que grandes escritores como Vale-Inclam, e outros galegos posteriores e inda
contemporâneos, nom seguissem a rota de Rosalia de Castro, nos seus Cantares Galegos, ao
começar dizendo:
Cantar-te-ei, Galiza,
na língua galega,
consolo dos males,
alívio das penas.
Seu poema mais antigo, de 1861, canto de despedida ao deixar a terra, quando se cuidava
próxima da morte:
Adeus, rios; adeus, fontes;
adeus, regatos pequenos;
adeus, vista dos meus olhos,
nom sei quando nos veremos.
E aquele poema doloroso do emigrante galego:
Minha terra, minha terra,
terra onde me eu criei,
terrinha que quero tanto,
figueirinhas que eu plantei.
Palavras que prosseguiu a recitar o povo analfabeto, sem saber bem a quem pertenciam. O
desprezo para os galegos provém daqueles arrogantes castelhanos, que os qualificavam de
brutos ou estúpidos, de homens e mulheres inferiores. Esses castelhanos eram tam
ignorantes que nom sabiam certamente que o rei Afonso o Sábio, castelhano dos bons, no
século XIII compunha os seus poemas mais ternos em galego, pois que o idioma dos
castelhanos era mais adequado para a guerra do que para as escuras regiões da alma.
Rosalia, "filha de pais incógnitos" segundo reza a partida baptismal, foi
escondida nũa aldeia durante muitos anos, até que acabou por saber-se ser filha natural
da fidalga Maria Teresa da Cruz de Castro e Abadia e dum sacerdote cujo nome ignoro. No
livro de Alonso Montero confirmei o que sempre imaginara sobre as consequências desse
vergonhoso abandono: um coraçom dolorido que pesaria para sempre na existência desse ser
sensibilíssimo. Peró assim pudo conhecer e compartilhar o sofrimento dos pobres, dos
desamparados, para chegar a converter-se na sua mais insigne defensora, e da sua
desprezada língua.
Foi ũa mulher de verdade, quero dizer com filhos, que escreveu nom só com o seu
instinto, senom também com o seu ventre. Ũa galega forte, ũa aldeã como
despectivamente proferiu algũa vez esse Ramom do Vale-Inclam que nom tivo o valor de
escrever na língua dos seus devanceiros. Essa aldeã culminou nos seus poemas
metafísicos, poemas que creio influírom em António Machado, Miguel de Unamuno y talvez
no mesmo Miguel Hernândez. Admirável mulher que poderia ter sido ũa ressentida, que
lidimamente poderia ter detestado o idioma dos castelhanos, e que às avessas escreveu
nessa língua algo tam transcendental como En las Orillas del Sar. Por certo, como é
usual, alguém que nom lhe chegava aos joelhos, o Juan Valera, no seu Florilegio de
poesías castellanas del siglo XIX, nem sequer a ementa, apesar de ter enchido seu livro
de poemas insignificantes; como também nom a cita Menêndez y Pelayo nas Cien mejores
poesías, título sempre presuntuoso, que em rigor devera ter nomeado Cem das poesias que
me parecerom melhores. Cuido, contodo, que ao cabo da sua curta vida, nas suas Folhas
Novas, arredor de 1870, escritas -palavras dela- "no deserto de Castela", é
quando atinge os grandes interrogantes metafísicos. A grande poesia -que devera incluir
no melhor sentido toda a grande arte- nasce sempre do sofrimento. E assim diz ela num dos
seus poemas últimos:
Desde estonces busquei as tenebras
mais negras e fondas...
Só em mim mesma buscando no obscuro...
vim a noite que nunca se acaba
na minha alma soia.
O cancro acabava-a, mas antes quijo que a levassem a contemplar o mar por derradeira vez.
O 15 de julho de 1885 o tumor terminou seu labor. Foi enterrada no cemitério da Adina,
que outrora cantara entranhavelmente.
Junho de 1996
Nota da redacçom:
Devemos deixar testemunho de esta ser a atitude habitual de Sábato a respeito da
problemática galega. Nom representa nenhũa cortesia circunstancial, nem só
benevolência humanista. Essa simpatia procede de algo mais, em geral pouco conhecido, do
que queremos deixar registo, ante o risco de perder-se. Nũa entrevista que nos concedera
-lá no tempo em que começava a pintar a causa do declínio da vista-, abriu o coraçom e
confessou a viva consciência que abrigava da sua identidade de albanês da Itália por
parte de três dos quatro avós, e da funda problemática existencial que isso lhe
representava. Confessom insólita num americano de família burguesa, de formaçom
científica matemática, que suporíamos bem longe desses pensamentos. Na questom galega
vê o paralelo imediato mais próximo dum segredo imo zelosamente guardado.
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A LÍNGUA DE MANUEL MURGUIA
A revista Omnibus publica as reflexões do historiador sobre o idioma e a ortografia
recolhidas num breve manuscrito
(D. Janeiro, em O Correio Galego, 6-VIII-99)
"Hube de decidirme por lo más racional. El gallego y el portugués, me dije, son uno
mismo en el origen, gramática y vocabulario. Por que no aceptar la ortografía
portuguesa? Si nos fue común en otros tiempos, por que no ha de serlo de nuevo?"
Manuel Murguia, a quem se lhe dedicará o vindoiro ano o Dia das Letras Galegas, manifesta
neste texto, que ontem publicou a revista Omnibus, as suas reflexões sobre língua e
ortografia. O manuscrito, custodiado na caixa 113 do arquivo da Academia Galega, junto com
correspondência, notas e inéditos, corresponde ao borrador incompleto dum livro que
nunca apareceu publicado, um cancioneiro popular da Galiza, que "seria ũa das obras
cume da Academia e do velho erudito", assinala-se na revista.
Os quatro quartos de fólio que ocupa o texto incluem afirmações como esta: "Solo
un total olvido entre nosotros de la lengua hermana, pudo hacer que se alcanzara y
prevaleciese la especial confusión com que escribieron y escriben el gallego; atendiendo
los unos, como es justo, al origen de las voces, atendiendo los otros a lo que da de si la
fonética, y en fin mermando los más sin tino inconsciente ambos sistemas".
"Para evitar tan grave inconveniente -continua- y sobre todo para echar de una vez
las bases de una ortografía con la cual podamos y debamos conformarnos, me decidí por de
pronto a seguir la portuguesa, modificada en aquella parte a que puede sin peligro
asimilarse a la que usamos."
O artigo, di a revista, "pode-se datar depois da fundaçom da Academia Galega, na
segunda década do século". Alva F. Marinho, que assina o trabalho, comenta que
"nom vai ser doado analisar e integrar desde o respeito devido ũa figura tam
injustamente vilipendiada por contemporâneos e posteriores. Ũa figura intelectual em que
a análise sobre o discurso e a talha intelectual venhem sempre acompanhadas da chufa da
chistera e a levita. Como se a altura do homem, a cor da sua pele, as crenças, a classe
ou os quartos continuassem a ter importância". No artigo, incluído na secçom de
Língua que coordenam Henrique Monteagudo e Freixeiro Mato, di-se que "cumpre exigir
desde já a editoras, comandos hemerográficos, instituições e historiadores, um
respeito e rigor à hora de defrontarem o magistério murguiano." "De todos
jeitos -conclui- a reflexom de Murguia é dũa contemporaneidade abraiante, o que, mais
que mérito visionário do patriarca, vem ser demérito das nossas novas e velhas
universidades, instituições académicas, institutos e seminários."
O número de verão desta revista galega
electrónica (www.revistaomnibus.com), que se pode ler ou receber debalde por correio
electrónico e que dirigem Antom Santamarinha e Manuel Ribas, conta com outros temas.
Assim, José Luís Barreiro Ribas fai ũa Crónica quente na secçom de Política e
Fernando Mário Teixeira reflecte sobre a estratégia e gestom dos aeroportos no Noroeste
peninsular. Ana Branco Caminha apresenta ũa reportagem sobre o momento actual da música
galega e, em ecologia, José Manuel Penas Patinho abunda na problemática dum dos peixes
mais importantes para a economia do país: a sardinha. Quanto à literatura, Irma López
Silva, num texto titulado Gelmirez, por quê?, fai ũa crítica sobre a obra encenada polo
Centro Dramático Galego (CDG), dirigida por Roberto Vidal Bolanho, que se pode ver esta
temporada na igreja da Universidade de Santiago de Compostela. As línguas faladoras de
Joam Manuel Andrade, em humor gráfico, o debate sobre a guerra de Kosovo, as opiniões de
leitores e as recensões de livros completam o número.
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GALIZA MÁRTIR, BÓVEDA E O TIO LEOCÁDIO
por M. Dourado Deira, em O Correio Galego, 14-VIII-99
A ideia dũa Galiza Mártir está no nosso grande Castelão, tam disputado agora polos
cachorros dalguns partidos para se dar um verniz de galeguismo. A quantos pretendem
utilizar a figura de Castelão convém recordar-lhes, entre outros, os seguintes textos:
"Muitas vezes os mártires criam mundos que os heróis nem tam sequer som capazes de
conceber. E na minha Terra cumprirá-se a vontade dos mártires". Mais explícito é
estoutro: "Campesinos, obreiros, intelectuais, homens e mulheres de todas as
tendências, que encontrastes a morte às mãos da barbárie desenfreada, ...aguardade na
vossa grande paz e no vosso grande silêncio. O vosso tormento nom será estéril. Os
vossos filhos viverâm num mundo mais livre e mais ditoso, de acordo com o anelo das
vossas almas e digno do sacrifício cruento das vossas existências".
A conquista deste ditoso mundo em liberdade custou e continua a custar sacrifícios; peró
paga a pena, porque sem liberdade nom há felicidade possível. Que cousa mais natural,
conveniente e necessária, pois, que recordar esse "sacrifício cruento, ou
incruento, de tantas e tantas existências", num dia dedicado aos mártires da
Galiza? Esse dia celebra-se o próximo martes ou terça 17, data na que se lembra o
aberrante sacrifício dum dos mártires mais excelsos da nossa história: Alexandre
Bóveda. Por isso, Castelão, em Alva de Glória, dixo dele com um grande sentido
profético: "Bóveda terá de ser num amanhã próximo ou remoto a bandeira da nossa
redençom". Nas minhas Conversas com Teresa Castelão, quando a senhora Teresa se
refere a este mártir, sempre o distingue com a carinhosa e dramática expressom de
"o pobre Bóveda".
Por que "pobre"? A resposta dá-no-la o próprio Bóveda, já na antessala da
ara do sacrifício: "Naturalmente que morrer aos 33 anos com quatro rapazinhos, a
maior de seis anos, e um de caminho, e com um mundo de ilusões após das tempas, nom é
cousa pagadoira!"
Fijo este alegato ante a insistência de familiares e amigos para vencer a negativa de
Bóveda a assinar um recurso "à desesperada" ante aqueles que o condenarom
"devendo ser eles os condenados". Peró, dentro desse "mundo de ilusões
após as tempas" pola "redençom da Galiza", Bóveda revelou estas duas ao
seu cunhado Gerardo Álvarez Gallegos, nos derradeiros momentos: 1) com a sua morte
pretendia libertar todos os seus colaboradores do Partido Galeguista. 2) "A minha
morte servirá -sentenciou- a acadar adeptos à causa galega! Um bem que, inda depois de
morto, farei à nossa Terra..."
Pois que se tratava da "terrível justiça militar" recorrerom in extremis ao
tio Leocádio, general do estado maior retirado, para que apresentasse o tal recurso
perante o Governo Militar da Corunha. Pobre tio Leocádio! Nom lhe valerom nem argumentos
humanos, nem legais, nem sequer patrióticos. Humilhado e ofendido, tivo que se retractar
de ir com ũa "embaixada do inimigo". O "inimigo" era o
cristianíssimo Bóveda, "que no es comunista, pero es galleguista, que es mucho
peor!" Essa foi a sentência do entom governador militar da Corunha. Convém
recordá-lo.
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A POESIA SATÍRICA NOS MAIOS
Há pouco tivemos ocasiom de ler uns maios cantados em 1997 e 1998 em Ourense, que o nosso
amigo Eduardo Bassani nos passou depois de recebê-los duns parentes. Queremos
transcrevê-los aqui, ao menos em parte, como testemunho dum rico género da poesia
satírica tradicional e popular, que cuidávamos desaparecido, mas que felizmente
comprovamos persistir viçoso no tempo.
Na verdade, a poesia satírica popular excede o quadro estrito dos Maios, e talvez
apareça mais óbvia nos Testamentos do Entroido ou Carnaval, de velhíssima
documentaçom, e noutras letras dos grupos organizados para estas festas. Tavoada Chivite
cita o Testamentum Porcelli, do s. IV, publicado por D'Ors. Ora bem, nom devéramos
confundir as sátiras anárquicas e desenfadadas dessas modernas Saturnálias com as mais
endireitadas e específicas dos Maios. O autor referido salienta nestes o carácter
purificatório e propiciador da fecundidade.
Nom nos excederemos na análise supostamente erudita dum fenómeno longe, obviamente
aparentado com as murgas do Rio da Prata. Só assinalaremos que as dentadas escarninhas do
género som antes bem adequadas para os âmbitos urbano ou vilego, e que na democracia
prosperam naturalmente. Saudemos pois nestes textos a supervivência dum género que
críamos em ramo de morte e que parece permanecer loução.
Coplas dos Maios '97
Leva já Auriense trinta anos na história erguendo no Maio a voz da memória. A voz da memória e a crítica aguda dizendo as verdades em contra da mula. Em contra da mula que temos de alcalde, co conto das viagens; trabalha de balde! Trabalha de balde enchendo o seu peto; subiu o seu soldo chuchando do teto. Chuchando do teto sem cortar-se nada: à Pepita Bravo pintarom-lhe a casa. Pintarom-lhe a casa sem pagar um cam; achantou o bico, saiu no jornal. Saiu no jornal a poda selvagem; ficamos em sombra na nossa cidade. Na nossa cidade tirarom os quartos com tanto camélio e pavimentado. E pavimentado ficou o Passeio. E o cerne de Ourense? Estou que rabeio! Estou que rabeio caindo a pedaços; o PERI nom chega e nom leva passos. |
E nom leva passos com tanto papom; também a autovia quedou em Dozom. Quedou em Dozom por mão do Cuinha, de cara a Santiago vai bem direitinha. Vai bem direitinha a via do trem: quitam "cercanias" e o AVE nom vem. E o AVE nom vem nem falta que fai, que temos o Fraga, que che é como um pai. Que che é como um pai, igualinho aos de antes; zorrega na gente que puxa pra diante. Que puxa pra diante e nom tem emprego, fartos dos cursinhos da López Besteiro. Da López Besteiro e dos outros todos, por queimar o lixo pujerom-se tolos. Pujerom-se tolos porque hai eleições: prometo, prometo, que perdo o "silhom"! Que perdo o "Asilhom", também chora o Fraga; com tratos que fai a Galiza estraga. A Galiza estraga o governo amigo, pois co dos bigodes nem comemos figos. |
Nem comemos figos. Isto anda ao revés! Agora bebemos o leite francês. O leite francês invade o mercado: A Uniom Europeia mandá-la ao caralho! Mandá-la ao caralho para subsistir; os nossos labregos querem produzir. Querem produzir o vinho dos ázeos, cousa que nom deixa Loyola Palácios. Loyola Palácios Rajoi e Tocino, Becaria e Cascos. Som todos mui finos! Som todos mui finos e mui lingoretas. Nós estamos fartos de trampas e tretas! De trampas e tretas sacam interess', machacam a Cuba, eu bem sei por quê. Eu bem sei por quê: Em Santo Domingos nosso Abel Matutes tem hotéis e bingo. Tem hotéis e bingo, Loto e Primitiva; com este governo futbol todo o dia. Futbol todo o dia pra codificar, temas importantes sem partamentar. |
Semparlamentar nem mediar palavra, do Pereiro o alcalde sacou a espingarda. Sacou a espingarda e pegou um tiro; Se é democracia, mira que cretino. Mira que cretino o Marichalar; rumor de concunho: Indarangarain. Indarangarain joga o balom-mão, e o Duque da nabiça nom quere sachar. Nom quere sachar na Deputaçom; vende-te ao Baltar, fai ũa moçom. Fai ũa moçom, Fojo que se vaia, cousa nunca vim: Um homem com saia! Um homem com saia, isto sim que é burla; nunca tal se viu na fonte das Burgas. Na fonte das Burgas hai água mui quente, fala mui clarinho para toda a gente. A toda essa Gente que tem caciqueado vimos criticando nestes trinta anos. Nestes trinta anos dixemo-lo todo; já falou o Maio, que é a voz do povo. |
Coplas dos Maios '98
Dedicadas ao Antom da Ponte, fundador da Agrupaçom Cultural Auriense,
e em solidaridade com os rapazes de Ogrove que forom detidos e censurados no Entroido '98.
Escuitem, vizinhos, o que imos cantar: o Maio da Auriense já botou a andar. Já botou a andar e anda com cuidado, que este nosso Ourense está levantado. Está levantado, cheio de buratos. A buscar os votos andam como os ratos! Andam como os ratos na Deputaçom. Já saltou a lebre das oposições! Das oposições que aprovou Cacharro, porcelana fina, que nom é de barro. Que nom é de barro o feixe de lenha que levou nas costas a gente labrega. A gente labrega, mais a mocida', levou paus de avondo só por protestar. Só por protestar e pedir mais leite. Isso em Europa |
nom há quem o "aceite"! Nom há quem o aceite! Dixo a Loyola: Inda nom pedim a vossa cachola! A vossa cachola e a de todos nós quer o senhor Guedes contra o paredom. Contra o paredom ponhem uns rapazes por cantar as coplas e por pôr disfarces. E por pôr disfarces de "gharda sivil". O Entroido que vem imos ser dez mil. Imos ser dez mil, ou se quadra cem os que trabalhamos; "España va bien". Espanha vai bem e Aznar, nom che digo! Jogando ao "padel" com muitos amigos. Com muitos amigos eles fâm negócios, quatro som os ricos e o resto no "ócio". E o resto no ócio, ócio sem querer |
fazendo cursinhos que manda o INEM. Que manda o INEM, que nom é de riso e por isso o povo se fai insubmisso. Se fai insubmisso para nom copar os postos da gente que quer trabalhar. Que quer trabalhar e ganhar a vida agora lhe querem cobrar a aspirina. Cobrar a aspirina e até os laxantes: se queres viver fai-te passeante. Fai-te passeante, bebe muita água, nom te queixes tanto, nom fagas o maula. Nom fagas o maula como os do governo: se lhes pôs o "OU" mandam-te ao inferno. Mandam-te ao inferno de queimar o lixo, que é um mau costume e a morte de fixo. E a morte de fixo |
que monta SOGAMA. Nom dâm aprendido, mira pra Donhana. Mira pra Donhana e mais prá Tocino. Chamemos-lhe "Bêicom" que é muito mais fino. Que é muito mais fino perguntar-lhe ao Fraga depois de jantar o que é que ele traga. O que é que ele traga o Marichalar; tem-che boa léria ao ir-se deitar. Ao ir-se deitar coa a Banda Real, que che gastam saia. Que tradicional! Que tradicional é o dos enchufes; se é que tés padrinho prenderâm-se as luzes. Prenderâm-se as luzes da "gharda sivil" quando o novo Entroido sejamos "dez mil" |
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Página dos assistentes às aulas de galego
DO LIVRO HONRAR AO IRMÃO DE BEATRIZ OLGA ALLOCATI
DA GALIZA (Carta ao irmão)
Deixa-me contar-che a história de Camila, a bisa como a chamavam os bisnetos, teus
filhos. Nós, lembras?, dizíamos-lhe Lita...
Os pais de Camila, Diego Anido Cabana e Maria Maceda, moravam com os filhos na Granha,
término de Abadim, província de Lugo. Eram lavradores, das madrugadas tímidas de luz no
suor da terra até as lágrimas de fadiga.
Por um velho documento notarial que felizmente apareceu-me nas mãos, Diego autorizava-a a
vir à Argentina para achegar fundos à família. Em 1909, ela unia-se em Buenos Aires a
Amadeu. Ao ano nasceria o nosso pai.
A bisa viveu da devoçom e solicitude do nosso pai até os oitenta anos, quando se partiu,
devagarinho, dizendo mai, mai...
Com ela forom-se estalagens de vento verde, rastos celtas em delgadas cruzes, retalhos
multicolores de campina. Outeiros, videiras, campos de girassol, e esses piornos,
singulares celeiros que às vezes aparecem como catedrais recém-nadas.
Galiza
pronunciada assim
com o C que esquecimos
para ajustar a brisa à palavra.
E trager um molho dela connosco.
Veo de Cávia, Ponte-Vedra, em 1884 só de catorze anos. Qual tantos paisanos, sabia
trabalhar a madeira. Alguém o levou a ũa chácara de San Isidro. Depois dum tempo,
Manuel Iglésias López, já casado com Maria Mantelini, com a que teria treze filhos,
volveu ao ofício de carpinteiro ao ingressar no Ferrocarril Central Argentino, com
destino na vila de Campana. Ali trabalharia 37 anos de capataz de operários.
Muito gostava de ler, e quando os filhos começarom a escola caiu-lhe nas mãos um livro
de física, disciplina que dominou intuitivamente, e que observava praticamente na
mecânica ferroviária. Talvez este pendor levou-no para a ideia de fabricar um
automóvel. Do ano 1903 a 1907 -precisamente no tempo em que Henry Ford construia seu
protótipo-, Manuel, nas horas livres, depois de deixar o obradoiro ferroviário, no
alpendre da casa começou a enformar o seu sonho. Com paciência, sem turbar-se, com a
ajuda dum torno, peça a peça. Até que ũa noite deitou-lhe gasolina ao carburador, deu
um golpe de manivela e ouviu-se um estalo: a máquina que armara vibrava. Por certo, neste
momento emotivo o Manuel estava rodeado da família. Nascia destarte o primeiro automóvel
argentino, reconhecido e registrado vastamente ao cabo do tempo.
A segunda parte do experimento foi pô-lo na rua. Começara, como dixemos, no alpendre, e
rematou na alcova grande. Foi preciso deitar abaixo um muro, derrubar redes de arame e
convencer o vizinho. O dia 20 de novembre de 1907 o bairro da vila provinciana perdeu a
calma usual, só interrupta por carros, sulkys e chatas (os baixos velhos caminhões de
tiro). Os rapazes alvorotarom, e os cães pegarom a ladrar para o estranho e ruidosíssimo
aparelho; um deles pagou com a vida o preço da inexperiência, donde o novo carro tiraria
o nome de "la mata-perros". A máquina atingia a velocidade de quinze
quilómetros hora polas poeirentas ruas do povo bonaerense. O pior era o ruído que
produzia o motor cada vez que o punha em marcha. O senhor Manuel viu realizado o seu sonho
com esse logro. Em 1930 uns senhores vinherom-lhe propor instalar o seu automotor no Museu
Histórico Nacional, daquela na cidade de Luján. Desculpou-se alegando o seu invento nom
merecer tamanha distinçom e negou-se a que o levassem. Em 1935, talvez farto do ruído,
preferiu guardá-lo para sempre. Nunca imaginou que o seu engenho e adiantamento puderam
ter transcendência; também nom tencionou nunca assentar as bases dũa produçom em
série. Todo o jogo consistiu na harmónica uniom de três ingredientes: talento natural,
iniciativa criadora e amor-próprio, quiçais explodidos pola faísca estimulante da
emigraçom. Noutro contexto cultural, aquele galego pontevedrês teria fundado um império
económico e combatido rijamente polas rédeas do poder. Ele, às avessas, conformou-se
com ser feliz. Morreu o 15 de janeiro de 1955, sem atribuir importância ao seu
passa-tempo. Anos depois viriam as honras para ele, para a cidade de Campana; ũa rua dela
leva o seu nome, ergueu-se o monumento ao "Primeiro Automóvel Argentino" na
praça principal de Campana. Ũa maquete doada por um seu filho ao Centro Galego de Buenos
Aires resgata minimamente nesta grande urbe a memória dum galego que qual tantos outros
deixou na América o melhor de si, além da semente serôdia dũa indústria.
HELENA CAROLINA
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ENCONTRO COM O MAGO MERLIN NAS TERRAS MINDONIENSES
por Manuel Iglésias Iglésias
O 17 de agosto encontramo-nos em Santiago com os amigos Bernardo Penabade e Maria do Carmo Cozinha, que conhecêramos no ano 1990, no III Congresso Internacional da Língua Galego-Portuguesa celebrado em Vigo e Ourense. Os que nele participarom lembrarâm a acolhida que nos derom e quanto nos agasalharom, junto de outros membros da Associaçom Galega da Língua. Há pouco visitarom Buenos Aires. Fâm um casal muito agradável com dous filhos, Joel de 6 anos e Artur de meses. Os dous som professores de Língua e moram em Burela, Lugo. Em Santiago -onde visitamos os túmulos de Castelão e Rosalia em Sam Domingos de Bonaval, e o Museu do Povo Galego- convimos em reunirmo-nos no dia seguinte em Vilalva às cinco da tarde. Eles estavam de férias nũa vila longe de Burela. Despedimo-nos e regressarom à sua estância e nós à residência em Casal de Rique, Caldas de Reis, Ponte-Vedra. Tal qual estava programado, de manhã bem cedo, eu e mais dous parentes partimo-nos para Pedra-Fita do Zebreiro a visitar as palhoças. A paisagem que pudemos apreciar no percurso da viagem é um presente de Deus que ficará na nossa retina polo resto da vida. Também visitamos Samos, Portomarim, o centro de Lugo (catedral e muralhas), até chegar a Vilalva, ponto do encontro acordado. Ali nos aguardava Bernardo com o seu carro; Maria do Carmo ficara com os cativos no lugar de férias. Com Bernardo de cicerone visitamos Mondonhedo, Foz e Burela, onde passamos a noite na sua casa, para continuar viagem no dia seguinte por Sargadelos (onde fomos recebidos por Díaz Pardo), por Viveiro, Ortigueira, Santo André de Teixido, Cedeira, Ferrol, Corunha, até a Torre de Hércules. Nesse lugar assistimos a um sol-pôr inesquecível... Mas quero deter-me em Mondonhedo, pátria de Conqueiro, Pascoal Veiga, Leiras Pulpeiro, Noriega Varela, Crescente Veiga, Iglésia Alvarinho, e tantos. Nesta vila, definida por Conqueiro como cidade famosa polos seus bispos e polo cavalar de Sam Lucas, rica em pam, em águas e em latim, pudemos apreciar a catedral, o monumento a Álvaro Conqueiro, o cemitério com os mausoléus de Conqueiro, Pascoal Veiga e Leiras Pulpeiro. Os que em Buenos Aires assistimos às aulas de galego temos notícia do mago Merlim da tradiçom bretona sobretodo pola leitura do Merlim e Família, de Conqueiro, em texto reintegrado pola cátedra. Pois bem, imaginai a nossa enorme surpresa de topar ali o próprio mago Merlim em pessoa... ele! Ali, diante da catedral, perto do monumento de Conqueiro, está a livraria-museu de Manuel Monteiro Rego, nome nos documentos do mago Merlim, que usa de roupas ajeitadas à sua condiçom e que tivo a deferência de mudar vestuário para sair nũa foto connosco. Depois de falar-lhe do nosso labor em Buenos Aires em prol do idioma galego e da Associaçom Amigos do Idioma Galego, presenteou-nos vários livros e revistas que tratam da vida e obra de Conqueiro, que agora fâm parte da nossa biblioteca. Em prova de agradecimento pola sua simpatia e generosidade connosco, prometemos enviar-lhe um exemplar do nosso boletim Adigal, que supomos passará a fazer parte do dito museu.
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N o t í c i a s
FESTIVAIS DE MÚSICA CELTA
ANCARES-BÉRZIO
A gaiteira galega Cristina Pato e o grupo Leilia, entre outros artistas, intervirom no II Festival de Música Celta Ancares-Bérzio que começou o dia 5 de Agosto na localidade galego-leonesa de Vilela.
A Associaçom Cultural "Ankares Bérgidum", segundo informou seu porta-voz, José Manuel Gutiérrez, aguardava a concorrência de quinze mil pessoas no decurso do festival. O festival, que decorreu do 5 ao 8 de Agosto deste ano, reuniu a músicos do estado e do estrangeiro, entre os que destacam os acima citados.
LORIENT
O Festival Intercéltico, do que participarom arredor de 4500 artistas de Bretanha, Galiza, Astúrias, Escócia, Gales, Cornualhes, Irlanda e Austrália, encerrou-se o 14 de agosto com a Grande Noite de Bretanha, no centro da vila de Lorient. Os organizadores assinalarom um crescimento do 25% na quantia de visitantes, que segundo as estimações chegarom a ser entre 400.000 e 500.000, durante os dez dias do festival, dessarte virado no mais concorrido da Europa toda.
A figura do gaiteiro Carlos Núnez foi mui aprezada, tanto polos assistentes quanto pola prensa francesa. Le Monde definiu-no como um virtuoso da gaita que amplia as possibilidades da música celta, entanto que Libération sublinha a sua busca das raízes nom celtas no flamenco espanhol e na música marroquina. Na representaçom hispânica figurarom também os grupos de danças Xana (Astúrias) e do Concelho deVigo (Galiza).
Os escoceses Skydance com a figura de Alasdaire Fraser e Wyatt Earp também entusiasmarom ao público.
Entre os bretões destacou-se particularmente Melanie Savennes, entanto que decepcionou um pouco Denez Prigent, que mistura os instrumentos tradicionais com música bacalhau.
O país convidado este ano foi Austrália, e no 2000, em que o festival se organizará sob o lema "Celtas do Mundo", estarâm convidados os gaiteiros de Argentina e México.
Criado em 1971, o festival é ũa grande fonte de desenvolvimento para Lorient, cidade da Bretanha, no noroeste da França, que fora completamente destruída polas bombas na segunda guerra mundial.
O Correio Galego, 15-VIII-99, pg. 20
O INTERCÉLTICO DE MOANHA CHEGA À SUA 150 EDIÇOM
O 27 e 28 de Agosto celebrou-se no Concelho de Moanha, no Morrazo, o décimo quinto Festival Intercéltico. No primeiro dia actuarom as finesas de Värtinä, que já deixarom bom saibo de boca ao público galego nas suas visitas anteriores, e Berrogüeto, que está a obter ũa resposta maciça de público nos seus concertos deste verão. No segundo dia ocuparom o cenário os gaiteiros Cristina Pato e José Manuel Budinho.
A Nossa Terra, 12-VIII-99, pg. 22
PEDE-SE A OBRA DE CASTELÃO
SER DECLARADA "BEM DE INTERESSE CULTURAL"
O grupo parlamentar do BNG apresentou no parlamento galego ũa proposiçom nom de lei para que se declare bem de interesse cultural o conjunto da obra de Afonso R. Castelão. A deputada Pilar Garcia Negro explica na sua iniciativa que o reconhecimento oficial da importância da obra castelaniana nom vem sendo acompanhado pola difusom maciça e popular que quadraria.
Por isso no texto da proposta fai-se um chamado para remediar "tam penoso anacronismo", num momento no que se está a piques de celebrar o quinquagésimo aniversário do seu passamento em Buenos Aires, a fazer-se o 6 de janeiro do ano 2000. Na proposiçom insta-se à Junta a realizar gestões perante a Deputaçom e o Museu de Ponte-Vedra para que todos os fundos de Castelão ali albergados possam ser visitados ou consultados. Além disso, solicita-se a ediçom maciça, a preços acessíveis, dũa escolma da sua obra plástica, literária e ensaística.
(O Correio Galego, 5-VIII-99)
POR ŨA DECLARAÇOM A PROL
DAS 5000 CULTURAS INDÍGENAS
O secretário geral da ONU, Kófi Annan, propôm-se elaborar ũa declaraçom de Direitos dos Povos Indígenas tam pronto quanto seja possível, que servirá de quadro para a acçom nacional e internacional em prol destes povos. Ontem (9-VIII-99) celebrou-se em todo o mundo o Dia Internacional das Populações Indígenas, organizado pola ONU. Assim mesmo, pretende estabelecer um foro permanente para as populações indígenas no Sistema das Nações Unidas que serviria a assegurar a participaçom destas populações no mundo, e que sejam parte activa à hora de defrontar os reptos do próximo milénio. Annan, na mensagem dirigida com motivo da celebraçom deste dia, sublinhou além do mais a necessidade de reflectir sobre o contributo que realizam estas populações ao resto do planeta, e sobre os seus problemas. Destacou que pode ser um bom momento para que o resto das populações se comprometam com estes povos, que padecerom séculos de adversidades em todo o
mundo. "Reconhecemos a riqueza cultural e persistência da herança indígena mundial. Renovamos o nosso compromisso de assegurar que estas tradições ancestrais ingressem no novo século, nom só como ũa forma de supervivência, senom com renovadas forças que permitam lograr o seu ressurgimento", assinalou. Annan animou os governos a aprender da forma de vida destas populações, sobretodo no que se refere ao meio ambiente, já que forom os primeiros em propor o desenvolvimento sustido. "Através dos seus contributos musicais, artísticos, de linguagem e das suas formas de vida, as populações indígenas enriquecem a vida do nosso planeta dũa maneira especial que reflecte a sua particular relaçom com o meio ambiente", dixo. Este dia foi proclamado pola Assembleia Geral da ONU o 23 de dezembro de 1994, e observou-se por primeira vez em 1995. Escolheu-se o 9 de agosto em comemoraçom da primeira assembleia do Grupo de Trabalho para as Populações Indígenas do Subcomité sobre a Prevençom da Discriminaçom e Protecçom das Minorias da Comissom de Direitos Humanos da ONU.
Para promover o interesse das populações indígenas, a ONU declarou o período que vai do ano 1995 ao 2004 "Década Internacional das Populações Indígenas" com o intuito de fortalecer a cooperaçom internacional para a soluçom dos problemas destes povos em direitos humanos, meio ambiente, desenvolvimento, educaçom e saúde. Perto de 300 milhões de pessoas, pertencentes a 5000 culturas dos cinco continentes, integram o populaçom indígena do mundo.
(O Correio Galego, 10-VIII-99).
UM CENTRO DE ESTUDOS DE OXFORD
O Centro de Estudos Galegos de Universidade de Oxford foi fundado no 1991 e têm sua sede no Colégio da Rainha (Queen's College) da dita Universidade. Seu principal objectivo é a promoçom e divulgaçom de todos os aspectos da cultura galega na Grã-Bretanha, tanto no âmbito académico como fora dele. A actividade académica do centro consiste em impartir aulas de língua e cultura galega e promover o interesse polas investigações sobre a cultura galega.
(La Región, 13-IX-99)
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PUBLICAÇÕES À VENDA
(em Chacabuco 955, nos dias e horas de aulas)
Revistas AGÁLIA, números do 5 ao 19, c/_a $10,00
Revistas AGÁLIA, números do 20 ao 24, c/_a $11,00
Revistas AGÁLIA, números 26, 27, 28, 30, 33 e 35, c/_a $12,00
Revistas AGÁLIA, números 25 e 29, c/_a $15,00
Quadros de Gramática Galega (Higino Martínez Estêvez,
Ediçom de Amigos do Idioma Galego) $10,00
Guia Prático de Verbos Galegos Conjugados (AGAL) $12,00
Prontuário Ortográfico Galego (AGAL) $23,00
História da Galiza (em banda desenhada) $ 7,00
Quatro estudos de história de Galiza $10,00
O mundo narrativo de Álvaro Cunqueiro (Moram Fraga) $15,00
Lua de Além-Mar e Rio de Sono e Tempo (Guerra da Cal) $23,00
LOCAIS DE VENDA DOS
"QUADROS DE GRAMÁTICA GALEGA"
Livraria do Centro Galego de Buenos Aires
Av. Belgrano e Pasco - Buenos Aires
Livraria Rodríguez
Sarmiento 835 - Buenos Aires
Livraria "EL ATENEO"
Florida 349 - Buenos Aires
Livraria "Del Sur"
Carlos Calvo 4242 - Buenos Aires
Livraria "Tomás Pardo"
Maipu 618 - Buenos Aires
IDIOMA GALEGO PORTUGUÊS (R. Flores) Vem comer o caldo, neno, deixa ir o cam pra fora; que vaia espelir as patas e cuidar do que há na horta.
E trai la-la-lá, e trai la-la-lá; o galego nunca castrapo será.
Nom fagas o xordo, neno, e vem-te comer o caldo; que logo vai ser a hora de ires apastar o gado.
E trai la-la-lá, e trai la-la-là; o galego nunca castrapo será.
DIALECTO CASTRAPO DA "XUNTA" Ven come-lo caldo, neno, deixa i-lo can pra fora, que vaia espili-las patas e coida-lo que hai na horta
E trai la-la-lá; e trai la-la-lá; o galego nunca castrapo será
Nom faga-lo xordo, neno, e vente come-lo caldo, que logo vai se-la hora de ires apasta-lo gando.
E trai-la-la-lá, e trai la-la-lá; o galego nunca castrapo será. |
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