Janeiro - Junho 2001 - Buenos Aires


 

CONTEÚDO

Mais ũa vez com o nome da Galiza

Luís Tovio, um nacionalista esquecido (o rato da livraria)

Betanços dos Cavaleiros (Ricardo Flores)

Falemos do rio Eu, Ribadeu, Veigadeu e a tribo dos Albiones (Higino Martínez Estêvez)

O galego mais ũa vez desprezado (Manuel Iglésias Iglésias)

Eu som eu (poema de Francisco Iglésias Gil)

Para Santiago (poemas de Estrela Vara)

Onde o Minho topa o Atlântico (Helena Carolina)

A arte rupestre na Barbança

A perseguiçom do galego nos anos cinquenta

Viajando polo dicionário (Manuel Iglésias Iglésias)

Notícias


  MAIS ŨA VEZ COM O NOME DA GALIZA

Vem-se de lançar na Terra a iniciativa, sempre oportuna, da Proposta Galiza, pola qual os galegos mais conscientes de si tentam reunir esforços para salvar o nome da pátria. Nom há exagero em salientar o valor simbólico e prático do nome que a designa. Se língua é identidade nacional, dentro dela poucos conteúdos podem pretender o valor emblemático e mobilizador dessa palavra essencial. Entre nós, os que escrevemos e lemos estas linhas, parece decerto ocioso abundar: já estamos persuadidos do que somos e provavelmente já teremos lido muito a respeito deste grave assunto. Mas enquanto essa verdade nom seja aceita polo conjunto da sociedade galega, ficamos em mortal perigo.

O dado hoje novidoso é a conjuntura feliz dos esforços reunidos para actuar no seio da sociedade galega, secularmente desmobilizada mas em vagaroso e contínuo processo de acordar. Nom quadra prodigar palavras solenes, nem liturgias esvaziadas de sentimento. Devemos gritar, erguer a voz urgente, de que chegou o momento de obrar com toda a energia e dũa vez. Cada um de nós, os que sentimos Galiza ser ũa bandeira indeclinável devemos mobilizar-nos contra o peso morto da inércia secular, da indiferência dos que apesar de nados na Terra nom a amam ou trabalham activamente para esfarelá-la. O momento é difícil e feliz. A partir daqui, ninguém com consciência clara poderá proferir em galego a blasfëmia de Galicia. Decerto importará dificuldades, mas há ocasiões críticas que definem irreversivelmente o rumo dos acontecimentos, ocasiões sem margem para evasivas. Muito nos jogamos; apenas o curso da História.

Feito o alerta, melhor será insistir nos aspectos práticos e técnico-linguísticos do caso. Para informaçom concreta da Proposta Galiza, cumpre-nos avisar do pertinente lugar na Rede: www.propostagaliza.org.

Quanto à linguística, talvez aí se chegue a algum fruito científico que o demo retrucador nom possa rebater. Em primeiro termo, logo reproduzimos ũa nota velha do nosso número 1, de agosto-setembro do '96. Imediatamnete depois acrescentamos ũa nota breve que sublinha um dado a nosso ver portergado ou esquecido, que talvez poderia ser dirimente para os que querem determinar-se com coerência.

 

GALICIA ou GALIZA?

Eis a palavra que na Terra divide as águas, a chave para penetrar o mais imo segredo de cada quem na Galiza, a mágica via que permite saber onde pousa o coraçom de cada galego e deixa ver se quer sê-lo ou se prefere virar para castelhano. Ainda que a questom pareça trivial na verdade há quem quer fazê-la passar por tal , determinar o nome é assunto grave, da máxima importância para o destino desta pátria amada de todos os galegos do mundo. Se mesmo essa simbólica e sagrada cifra vai ficar estragada, invadida e manipulada, quererá dizer que à Terra nenhũa esperança de supervivência lhe cabe.

Entanto que a língua galega existiu viçosa e sã, a Terra sempre se chamou Galiza, daquela pronunciado como hoje soaria em italiano. É somente depois do 1500 que esporadicamente começa a aparecer em textos escritos na Galiza a antiga forma castelhana Galizia. Pois que ensarilhar é o labor do demo, alguns linguistas de encargo, para que aceitemos essa forma, procuram vender-nos "como símbolo de unidade" a circunstância de Galizia/Galicia em castelhano ser galecismo. É certo, lá longe o castelhano tinha Gallizia, que cambiou por Galizia por influência da nossa língua. É, foi assim em castelhano, mas também é certo a fortuna da palavra Galiza ser paralela da da nossa língua nos últimos séculos. Um galego dizer Galicia a mais sem acento é descobrir-se amigo de abandonar a língua dos antepassados, é logo preferir deixar de ser o que foi e ainda é. Há quem o fai, mas já somos muitos, com Castelão, os que recusamos essa perversa oferta.

Mais a. Em galego existe a palavra Galícia, com acento, mas significa a terra lá na Europa Central, no leste da Polónia. E em galego também existe a nossa Galiza, que é preciso defender, porque parece haver quem sonha com deslocá-la bem longe.

EM GALEGO *GALICIA É IMPOSSÍVEL

Muito trabalho erudito e científico tem-se desenvolvido arredor do nome Galiza, mas nom lembro ter-se salientado bastante a impossibilidade da forma Galicia dentro da fonética histórica galego-portuguesa. Decerto a forma existe em c a s t e l h a n o, mas a história dessa voz espanhola está cheia de idas e vindas. O castelhano regular *Galleza (através de *Gallieça) nunca existiu. Já de bom princípio se dá Gallizia, que já acusa galecismo no I tónico e no Z sonoro, procedentes do nosso Galiza. Depois este continuará influindo até levar para o castelhano Galizia, moderno Galicia. A condiçom híbrida desta forma castelhana é manifesta. A ninguém, cientificamente petrechado, pode caber-lhe dúvida de que Galicia é exclusivamente castelhano.

Vejamos agora a explicaçom do nosso Galiza, que tivo desenvolvimento fonético-histórico regular. Além da etimologia pré-romana, é-nos preciso partir da forma já latina Gallaecia (no Império fonologicamente /Gallecia/ com E tónico aberto).Nom há maneira de explicar o I tónico atual sem apelo à metátese ou transposiçom do iode final; nom há metafonia românica capaz de mudar o timbre da vogal tónica desse jeito. Só a imela árabe seria capaz de render conta desse resultado. A explicaçom pontual é que houvo transposiçom precoce. Ponhamo-lo assim: sécs. I, II e III *Gallec'ia (com oclusiva surda palatalizada) > IV, V, VI e VII *Galled ia > VIII *Galleidza (metátese do iode) > IX *Galliidza (ou já *Galiidza (com a recente simplificaçom do LL duplo). Pronto aparecerá nos textos a forma escrita Galiza, ainda que entom agachando articulaçom sonora africada da sibilante.

Em suma, à margem das vicissitudes da forma castelhana, que aqui nom é pertinente, unicamente podemos explicar o I tónico de Galiza através do deslocamento e desapariçom do I postónico da forma latina. Logo o I que hoje nos querem pôr no nome da pátria é um I de contrabando.


 

Betanços dos Cavaleiros (Foliada de Ricardo Flores)

A Betanços tenho de ir
por ver a rapazinha,
que dela fiquei prendado
sem acougo noite e dia.

Uns vâm pola terra,
outros polo mar;
eu vou polo rio
amores buscar.

Amores buscar
eu fum polo rio,
e no peito amores
eu trouxem comigo.

Em Betanços têm bom vinho,
garridas moças também;
e quem aqui vem por algo
costa arriba de andar tem.

Uns vâm pola terra,
outros polo mar;
eu vou polo rio
amores buscar.
Amores buscar
eu fum polo rio,
e no peito amores
eu trouxem comigo.

Bénia ao dia que a Betanços
amores fum procurar,
porque dei com a jóia,
talmente a do meu sonhar.

Uns vâm pola terra,
outros polo mar;
eu vou polo rio
amores buscar.

Amores buscar
eu fum polo rio,
e no peito amores
eu trouxem comigo.


 

LUÍS TOVIO, UM NACIONALISTA ESQUECIDO

Luís Tovio (Tobío), personalidade relevante do ressurgimento cultural galego dos primeiros trinta anos do séc. XX, nasceu em Viveiro, Lugo, no 13 de Junho de 1906. Cursou direito na universidade de Santiago, licenciando-se em 1937 com prémio extraordinário e foi logo nomeado professor ajudante de Direito Administrativo. Desde os anos de estudante fijo parte do núcleo fundador do Seminário de Estudos Galegos, no que se desempenhou como diretor da Secçom de Estudos Jurídicos, Políticos e Económicos.

Em 1929 a Universidade de Compostela pensiona-o para fazer estudos de ciências políticas em Berlim. Ao regresso em Santiago ganha por oposiçom a cadeira de professor auxiliar de História do Direito e Direito Romano. Em 1931 marcha a Madrid para se doutorar, peró a sua vida toma um rumo inesperado ao ingressar por oposiçom, em 1932, na carreira diplomática. Com Carvalho Calero redigiu nesse mesmo ano o anteprojeto do primeiro Estatuto de Autonomia, ao que se lhe adiu o Estudo Económico feito por Xavier Bóveda.

Em 1933 é designado secretário de embaixada, adscrito à Legaçom de Espanha na Bulgária, e a guerra civil surpreende-o em Sófia, onde mantém a legaçom leal à república até o seu traslado ao Ministério de Estado em 1937.

No ano seguinte, trás permanecer nas filas do Exército Republicano, destinam-no ao cargo de Secretário Geral daquele ministério. Com a queda da República toma o caminho do exílio, que o leva para Nova Iorque, onde encontra Castelão. Nessa cidade desenvolve importante actividade cultural e depois dirige-se à Havana, donde trás curta estância vai para a cidade de México a exercer de professor num instituto criado por refugiados espanhóis. Do México passa ao Uruguai, em cuja capital residirá até o definitivo regresso a Espanha no 1963. Em 1964 reingressa na carreira diplomática, ficando nela por dous anos. No resto do tempo pronuncia palestras em diferentes centros culturais de Madrid e dedica-se nomeadamente à investigaçom histórica.

A produçom intelectual de Tovio pode dividir-se em três etapas, de acordo aos períodos que percorrem a sua vida. A primeira época fecha-se com a guerra civil e nela destaca o seu labor no Seminário de Estudos Galegos. Fai parte tanto nos cursilhos de divulgaçom quanto nos trabalhos de maior dimensom as jeiras e artigos de investigaçom que aparecem nos Arquivos do Seminário ou som publicados pola editora Nós, o caso de A igreja de Santa Maria de Viveiro (1933). Nacionalista galego de esquerda, representa a posiçom marxista no Partido Galeguista. Como se dixo, com Carvalho Calero, fijo parte da equipa que redigiu o anteprojeto de Estatuto de Autonomia da Galiza, que foi aprovado polo povo galego no histórico plebiscito do ano 1936 e que nom alcançaria a ser considerado polas Cortes do Estado Espanhol.

No período montevideano, escreve de assuntos internacionais e de direito político para o Rádio Ariel, colabora em revistas e jornais (entre eles El Día, do que será redator permanente), fai traduções de obras históricas e biográficas, como a Teoria del Estado de Hermann Heller. Outro campo de trabalho é a cultura galega: além de membro da Irmandade Galega de Montevideu, mantém contacto com diversas instituições de ambas beiras do Plata. Em 1956 participa na organizaçom do "Primeiro Congresso da Emigraçom Galega" para o qual a comissom organizadora lhe incumbe a redaçom do manifesto, o temário e o regulamento.

A época do seu regresso a Espanha é dominada pola investigaçom sobre a personalidade do Conde de Gondomar. O fruito primeiro desse labor é Gondomar y su triunfo sobre Raleigh, de 1974. Nesta obra quadra salientar a análise do período histórico em questom como cruzamento de processos, da presença dos primeiros sintomas de decadência do Império Espanhol e da futura e incipiente emergência do Inglês.

Em 1996 Edições do Castro publica-lhe as memórias, tituladas As décadas de T. L. Num livro de homenagem há pouco publicado por essa editora, Isaque Diaz Pardo escreve: "Ninguém sabia mais nem trabalhara tanto polo Estatuto de Autonomia da Galiza quanto Luís Tovio. Peró ninguém na nossa comunidade ante a nova situaçom autonómica que nos oferecerom no '78, se aproximou dele para conhecer-lhe o pensamento, para pedir que ajudasse. Ele aceitou esta situaçom anómala com o silêncio e a dignidade que sempre mosrou. Todos fijerom por ser eles os inventores de autonomia. Nom é estranho que as cousas vám como vâm. Peró algum dia quando tenham desaparecido os criadores autênticos e os que se apropriarom da obra, a história encarregar-se-á de deixar a cada um no seu sítio".

No 13 de Junho deste ano fijo 95 anos em Madrid, onde mora.

O RATO DA LIVRARIA


 

O RIO EU, RIBADEU, VEIGADEU
E A TRIBO DOS ÁLBIONES

Suscitou-se há pouco o debate da recta ortografia do nome do rio Eu, e vejo-me levado a deixar a preguiça usual para contestar os que exigem escrever com O. À questom cumpre responder resolutamente que só cabe escrever e pronunciar -U. Vejamo-lo. A forma antiga era Ribadeuve, sob as latinizações secundárias, e do nome da vila tirou-se regressivamente o nome do rio. Ribadeuve deu depois Ribadeu tal qual o ubi latino deu o medieval u?, nom sem passar polas formas *uve, *uv, patente esta no resultado u-la?, em que a forma arcaica do pronome (ou artigo, segundo os casos) exige esse *uv que tolhe a elisom intervocálica. A resposta da questom, cuja etimologia damos abaixo, é claríssima, mas a resistência a Eu persistirá por nom vir da linguística, senom da sociologia. Digamo-lo claro: do auto-ódio galego, que sente no U final um estigma de rusticidade. Portugueses e asturianos, que nos flanqueiam, pronunciam UU átonos finais; no entanto, alguns galegos há já um par de séculos que recusam a pronúncia própria ao ter profundamente internalizadas as equações "labilidade vocálica = rusticidade galega" e "nitidez de só cinco vogais = senhorio castelhano".

A etimologia do caso é ensarilhada e estava escondida. Qual se dixo, os testemunhos apontam lá nos inícios do segundo milénio à forma oral *Ribadeuve. Sei dum Ripadeuve sem data, latinado em parte; dum Ripam euve, de 1182, também latinado de leve; e dum Ripa Evii, de 1143. A perda da última sílaba só aparece a fins do séc. XII. Nem se vê Eu nem *Euve independentes, o que insinua a suspeita de serem formas extraídas daquele *Ribadeuve. Confirma a suspeita a existência dũa aldeia chamada Ove, na beira ocidental da ria do Eu, perto de Ribadeu. No ementado ano 1182, Dom Fernando II de Leom desloca a sé episcopal mindoniense para Ribadeu, talvez fundada entom. Perto de Ove, Ribadeu surgiria como anexo desse Ove anterior. Confirma-no-lo sobretodo lembrar que justo *Ove tinha de ser o resultado necessário dum *Ouve hipotético. É, com efeito, *Ouve viria a Ove tal qual paupere (mediante *poubre) dá pobre, e scalpru- (>*escoupro) dá escopro: desaparece o ditongo velar seguido de oclusiva labial. Destarte, o confronto de *(Ribad)euve e *Ouve é pasmoso. Os dous procedem dum *Albi ou *Albii: *Riba de Ouve > *Ribadouve > Ribadeuve, por dissimilaçom. *Albii ou *Albi? Será *Albii, genitivo do tema céltico *Albio-, neutro: Albion "mundo". Preferimo-lo por acordar com o étnico albiones, citado por Plínio trás o rio Návia (NH III, 111; e Ptolomeu, mas num texto corrupto). Além dalgũa obscuridade, *Albion e álbiones virâm do indo-europeu *albho- "branco", presente em céltico. Por caso, Alpes vem do céltico *albes "[montes] brancos", ensurdecido o B no latim por diferença fonológica. Albion é "claro (=santo, amado) cosmos, pátria, mundo próprio". O nome da tribo galega valerá "donos do Mundo". Presente no étimo do rio, da vila e da aldeia,*Albii está a modificar vários nomes esvaídos. O rio Eu seria dantes [Abona] Albii "divina Água do Mundo"; Ribadeu virá do latim Ripa Albii "ribeira do Mundo" (precedido do céltico *Barkalla Albii); e Ove (através de *Ouve) de Albii só, mas antes modificaria algo como "capital" ou "centro". Albio- na beira oeste da ria robora esta também ser dos álbiones.

Agreguemos, para leitores ribeirinhos do Eu, algum dado sobre a tribo que aí morava soberana antes da romanizaçom. O rio era a coluna vertebral do seu território e nom o seu limite. Limite Leste era o Návia, que também o era da confederaçom dos calaicos do Norte ou ártabroi (depois convento lucense) com a dos calaicos do Leste ou ásturoi (depois convento asturicense). Os cibarci de Plínio nom eram outros, senom simplesmente os álbiones "deste beira do rio" (em língua céltica *ki-barkoi; dũa variante *k -barkoi vem Cavarcos, nome de várias aldeias). No Oeste o linde ia polo rio Ouro, até o monte Quadramom (<*Ko-datlas Monioi "Montes da convergência dos foros tribais"), Vila de Estelo, Porto da Giesta, Rio-Torto, Porto do Marco de Álvare, Serra do Pousadoiro, Serra de Meira (a Leste de Meira), monte Panda, Serra do Mirador, o Cádavo (Sul da Serra do Poço). No Sul iria polo Alto da Fontaneira, rio das Lamas, rio Suarna (<Sub Arna "ao Norte do álveo fundo (do Návia)".

Abrangia os concelhos galegos de Ribadeu, Barreiros, metade sueste de Foz, Alfoz, Mondonhedo, Lourençã, Travada, Rio-Torto, Ponte-Nova, Ribeira de Piquim, metade boreal de Valeira, quase toda Fonsagrada (linde sul no Suarna, rio de Lamas e divisória das águas) e a beira oeste de Negueira de Moniz. Da banda asturiana tinha os concelhos de Tápia de Casarego, Castropol, Veigadeu (<*Vadica Albii), Boal, Santisso de Abres (<*ábrões <*ábliones <*álbiones), Bres, Sam Martinho de Oscos e Grandas de Salime. Esta terra na costa mede mais de 50 quilómetros e de Norte a Sul passa dos 60. Do Quadramom à presa de Arvom, no trecho inferior do Návia, há uns 70 quilómetros.

Ao cabo, devo aludir às opiniões do Sr. C. Varela Aenlhe, investigador da toponímia e defensor da grafia Eo, que mistura cousas diversas, topónimos com ditongos decrescentes verdadeiros (como Fonteu <*Fonte- Albii) com crescentes e com encontros vocálicos que normalmente nom ditongam (Valdeorras, Seoane, Terreo ou Terreio, Anfeoz,...). Enfim, há ditongos decrescentes abertos, que se venhem grafando incorretamente: Céu, Leboréu. Terá de admitir-se que é interessante o seu jeito de despachar o testemunho do asturiano: "porque remata praticamente todo em U". Será possível? Estes asturianos sempre politicamente incorretos!

Higino Martínez Estêvez

 


O galego mais ũa vez desprezado

Está visto que há galegos que nom amam a sua língua. E nom só nom lhe querem, senom que a desprezam sem rubor. Vejamos o acontecido o dia 7 de outubro, no jantar de celebraçom do 80º aniversário da Federaçom de Sociedades Galegas da Argentina. Alguns dos Amigos do Idioma Galego estávamos presentes. Nesses atos som naturais os discursos, e houvo-os. Num recanto da Galiza na Argentina qual a Federaçom, que abriga respeitosamente galegos e outros que nom o som, cumpriria que se respeitasse o direito de expressom e o de os galegos exprimir-nos na nossa língua.

Pois bem, esse direito foi tolhido. Quando o delegado nacionalista Jesus Gómez Rodríguez "Minho" começou a pronunciar o seu discurso em galego, ũa mulher (depois soubemos ser Dionísia López Amado, de Ferrol), assente duas ou três cadeiras à direita das autoridades da Federaçom e convidados importantes (entre eles o cônsul de Espanha), ergueu-se e falou-lhe ao ouvido ao dissertante, que aceitou o que lhe diziam e prosseguiu o discurso em castelhano. Como é já ritual, os Amigos do Idioma Galego presentes berramos protestando pola atitude, instando a continuar em galego, mas foi em vão. O galego de nacionalismo fraco continuou a falar em castelhano. Dói a iniciativa da galega que nom ama a sua língua, peró dói mais a conduta deste galego supostamente consciente. Que foi o que o levou a torcer a sua vontade de dizer o discurso em galego? Que poder tinha aquela mulher para pressioná-lo a nom falar em galego? Eu nom sei, peró cuido que som representantes como este, que nom defendem a língua, os que garantem a castelhanizaçom total da Galiza, pois se o sal nom salga pouco cabe esperar. Nom queremos ũa Galiza castelhanizada, na que, como dizia Carvalho Calero, o galego seja reverenciado como relíquia histórica ou típica rareza folclórica que cumpre guardar para fins turísticos.

Confesso, como galego, que me alaga ũa profunda tristeza polo desprezo infligido à minha fala, porque é minha, por tê-la aprendida no berço, no colo da minha nai. Ao menos a mim ninguém ma poderá tirar. Nom som tempos de pedir papas...

Manuel Iglésias Iglésias


EU SOM EU

Som a Rósi. Nom sabíeis?
Ficai entom a saber
que tenho graça e encanto
para emprestar e vender.

Som do grupo dos pequenos,
porque também som pequena;
nom é desgraça nenhũa
ser criança e ser morena.

Deixai passar alguns anos
e ver-me-eis já crescida
fascinando a toda a gente
por elegante e garrida.

Entretanto vou correndo
como fazem as gazelas;
gosto muito dos seus saltos:
queria ser como elas.

Há quem fique namorado
dos meus olhos de tricana,
mas que se ponha à cautela;
nom vá pensar que me engana.

Encanta-me ouvir no bosque
o cantar dos rouxinóis,
como há quem goste de ver
meu cabelo aos caracóis.

Som a Rósi como vedes
se quijerdes, a Rosinha ;
da rosa será o perfume,
mas a graça é toda minha.

Francisco Iglésias Gil

Francisco Iglésias Gil, tio do nosso amigo o contador Manuel Iglésias, distrai os seus ócios fazendo versos, cheios dũa graça fresca e cristalina e dũa pasmosa facilidade. Galego de Caldas, desempenha labor docente em Braga. A escola é justamente a ocasiom imediata da maior parte deles. Eis ũa amostra do seu estro.


Página dos concorrentes às aulas de galego

Para Santiago

 

ONDE O MINHO TOPA O ATLÂNTICO

Resgato lembranças da infância. Nas noites de verão escuito minha nai a percorrer com a imaginaçom penedos e encruzilhadas até dar com o Minho. Fala na ponte internacional próxima da sua casa e da vila guardesa. Lembra o polvo prendido na perna dũa banhista, quando com a madrinha. estava no balneário a tomar os banhos.

A que vem isto? Foi que se me deu estar no monte Santa Trega e descobrir o rio que tanto fantasiara de meninha, vê-lo deixar as águas no mar, manso, mansinho na entrega total. Na outra beira a terra portuguesa alonga a paisagem.

O Santa Trega nom está só. Tem de companheiros o Facho (326 m.) e o Sam Francisco (341 m.).

Conforme a tradiçom, acendia-se um facho ou fogueira na cima do primeiro para vigia dos marinheiros e para alertar os povoadores dos perigos que vinham do mar. O nome do Sam Francisco recorda o velho cenóbio franciscano situado na ínsua murada, hoje portuguesa.

Além do panorama, o que tem o monte Santa Trega? Ũa importante jazida arqueológica descoberta no ano 1913 ao abrir ũa senda florestal para aceder ao cume, onde há ũa ermida fundada por anacoretas em memória de Santa Trega ou Thecla, protomártir da Ásia Menor. Os vizinhos chamavam "casinhas dos mouros" às ruínas. A parte escavada hoje mede 700 m. de Norte a Sul por 300 m. de Leste a Oeste. Deve de ser a Abóbriga ementada por Plínio, comparável à citânia de Briteiros, perto de Braga. As sucessivas escavações nom sempre bem feitas deixam ver casas, muralhas, ruas, escadas,... Em 1914 inaugurou-se o museu que contém o valioso conjunto das peças extraídas, testemunhos da cultura dos castros e do processo da sua romanizaçom. A Sociedade Pró-Monte e o Concelho da Guarda cuidam destes tesouros. Em 1931 foi reconhecido "monumento histórico artístico".

Falemos na ermida. A capela actual, que data do século XVI com ampliações posteriores, apresenta altares barrocos, tábuas pictóricas, talhas e relicários. A festa de Santa Trega celebra-se o 23 de setembro com oferendas de fruitos do mar e da terra. Curioso é o recitado de litanias e salmos em latim romanceado com música da velha liturgia moçárabe ou visigótica. Junto desta festa há mais outras duas romarias: 1) na segunda feira depois da Assunçom da Virgem (15 de Agosto), os homens chegam-se ao santuário em abstinência comemorando a seca do ano 1355, e 2) o 26 de dezembro celebra-se a terceira romaria em honra de Sam Estêvão ou Estevo.

Enquanto reviso esta escrita a imagem do Minho surge e começo a voar ao monte.

HELENA CAROLINA

 


A ARTE RUPESTRE NA BARBANÇA

Costumados a perder-se polos montes da Barbança, Joam Guitiam Pereira e Jorge Guitiam Castromil, pai e filho, descobrirom a riqueza histórica das suas pedras. Na bisbarra os arqueólogos e historiadores tinham constância da existência de 30 petróglifos. Trás as investigações destes dous historiadores da arte, a cifra elevou-se até 99, e "decerto que há mais" asseguram. Joam e Jorge Guitiam catalogarom minuciosamente cada ũa das gravuras e reunirom-nas num livro que apresentarom o 27 de Junho passado: "Arte rupestre da Barbança". Nele os autores aproximam-se dos legados pétreos dum ponto de vista antes artístico que arqueológico para analisar questões como a utilizaçom de perspectiva ou as técnicas para a representaçom do movimento. Persuadidos de que o melhor modo de proteger este património é divulgar a sua importância entre a gente, os autores proponhem diversos roteiros para contemplar as pegadas dos habitantes pré-históricos.

Os vestígios pré-históricos da Galiza estavam fundamentalmente até agora localizados na província de Ponte-Vedra. Com o livro, Joam e Jorge Guitiam conseguirom pôr de manifesto a riqueza arqueológica que se pode topar nesta comarca corunhesa. No seu estudo forjado em numerosas horas de passeio polo monte, descobrirom perto de 60 novos petróglifos nunca antes catalogados. Deles a maioria topam-se em Porto de Ozom ("Porto do Som"), onde os autores localizarom 50 novas pedras gravadas, em muitos casos há milheiros de anos. Principalmente, explicam os autores, há dous tipos de petroólifos, os realizados na pré-história no período de Idade do Bronze e os da época medieval. Estes últimos adoitam ser cruzamentos que na maior parte dos casos fixavam o fim do território da paróquia. O significado dos desenhos pré-históricos ficou contodo oculto trás a esteira do tempo.

"Arte rupestre na Barbança nom é um livro de arqueologia" assegura Joam Guitiam, "é um análise dos petróglifos, peró do ponto de vista artístico. Nós o que fijemos foi comparar uns com os outros para observar como se desenhava naquela época, como se consegue a profundidade de campo, o movimento, todo este tipo de cousas". Os autores, veraneantes habituais da bisbarra da Barbança, começarom os seus estudos no 1997. Entre as descobertas mais importantes assinalam o petróglifo de Campo Grande (no que se pode observar um cervo dũas dimensões mais grandes do comum, já que mede 1,30 m., ou a representaçom dũa arma ("espada o punhal") de Espinhadero, em Porto de Ozom, motivo muito inusual na Galiza. "A Idade do Bronze é ũa época da pré-história da que se sabe bem pouco. É anterior à cultura castreja, da que já se conhecem muitas mais cousas, polo que aventurar qual pode ser o significado das gravuras na pedra é bastante difícil" explica Jorge. Hipóteses, contodo, há muitas. Pensa-se que os círculos concêntricos podem ter relaçom com um culto de adoraçom solar e que as gravuras de cervos poderiam ter relaçom com a caça. "Polos estudos existentes nós sabemos que o cervo nom era um animal muito abundante na comarca da Barbança na época pré-histórica" argumentam os autores; "pensamos que pode ser que a representaçom de cervos tenha significado religioso, que fosse animal sagrado, porque também nom aparecem gravuras doutros tipos de animais que sim seriam mais fáceis de caçar.

O cuidado do património descoberto é outra das preocupações dos autores. "A verdade é que os petróglifos que topamos estâm mui abandonados e dispostos a que qualquer faga ũa barbaridade; mesmo os há que tenhem mostras de que algum canteiro foi ali a colher pedras. A nossa intençom é dar a conhecer todo este património, divulgar a sua existência, já que ocultá-la é um desatino", indica Joam. Os autores estâm convencidos de que, para que se valorize este património, tem-se que fazer que a gente seja consciente da sua importância e por isso advogam por promover estes petrógrifos como valor turístico. "Um turismo responsável e que nom dane as formações", asseguram.
              Natália Sequeiro, "O Correo Galego", suplemento "Lezer", Nº 386, pág. 2.

 


PERSEGUIÇOM DO GALEGO NOS CINQUENTA

"...Na década dos cinquenta, os galeguistas do interior redigirom um manifesto no que delatavam a campanha persecutória contra a língua galega polo regime franquista, que baseavam nos seguintes factos: Em setembro de 1951, o Diretor Geral de Prensa, Joam Aparício López ordenou verbalmente aos diretores dos jornais de Galiza que nom acolhessem nas suas páginas texto algum escrito em língua galega. Pouco depois comunicou-lhes, desta vez mediante ofício, que ficava proibida a publicaçom de qualquer comento ou artigo na nossa fala. No mês de Maio do ano seguinte o próprio Aparício suspendeu, por mandato expresso, a ediçom dos cadernos da coleçom Grial. Empregou como pretexto que nom se ajusta às normas previstas pola Direçom Geral de Prensa. O 31 de Dezembro do mesmo ano convocou-se em Vigo a secçom extraordinária da Academia Galega para receber como membro numerário a Manuel Gômez Romam. O designado para responder o discurso de ingresso era Ramom Outeiro Pedraio. Ambos os dous tinham preparadas para a sua leitura em idioma galego as respectivas intervenções. Peró, uns momentos antes de dar começo o ato académico impediu-se por disposiçom governativa a utilizaçom do galego na celebraçom. Em consequência, tanto o recipiendário quanto o encarregado de apadrinhar o seu ingresso na corporaçom literária, virom-se obrigados a improvisar as palavras em castelhano, para dar conta aos assistentes dos motivos desvirtuadores do significado do ato. Ancorados nestes factos, o Partido Galeguista remeteu desde Galiza ao Congresso da UNESCO, celebrado em Montevideu, um documento no que denunciava a política repressiva do regime franquista contra a língua galega, que causou um impacto positivo, segundo Fernândez del Riego, em grande parte das delegações existentes, e molestou os membros da delegaçom governamental espanhola, na que figuravam o ministro Ruiz Jiménez, o catalam Esterlich e o galego Fraga Iribarne."

"O Centro Galego e o Centro Lucense de Buenos Aires fijerom chegar também individualmente o seu protesto, e a Irmandade Galega, junto dos centros Betanços, Corcuviom, Corunhês, Ourensano e Pontevedrês, apresentarom em representaçom dos galegos da pátria e dos galegos espalhados por todo o mundo, o 15 de Outubro de 1954, um documentado informe denunciando a perseguiçom desatada contra o idioma galego, cada vez mais encirrada e rasteira no seu desejo criminal de anular o veículo mais enxebre de expressom da nossa nacionalidade diferenciada. Baseiam a sua argumentaçom nos seguintes factos: a) O carácter absoluto do controle que o Estado exerce sobre a vida cultural. Nom pode publicar-se absolutamente nada que nom seja previamente examinado e autorizado pola censura estatal, b) O carácter autoritário da censura. Nem o imprensador dum livro tem regras objetivas a que ater-se, c) O carácter governativo e nom-legal das proibições. Muitas das proibições nom constam em nenhũa lei escrita e promulgada; som simples ordens da autoridade governativa, peró dado o carácter ditatorial do actual Estado Espanhol, as ordens governativas tenhem naquele país toda a força executiva e coercitiva dũa lei, com a desvantagem para o cidadão de que som para ele inapeláveis..."

(Extractado da "Nosa Terra", pág 10, 7 de Maio 1998, número 829).


Viajando polo dicionário...
(Colaboraçom de Manuel Iglésias Iglésias)

Eis, a continuaçom, algũas palavras relacionadas com as palhoças:

ástrago: espaço limitado pola lareira, o forno e as portas inferior e superior das palhoças. É o maior espaço para circular. Modernamente é empregado nas vivendas com o significado de saguam.

barra: faiado sobre a estrabariça onde se guarda a palha, a comida dos animais, as cousas da vida diária, ou mesmo onde dormem as pessoas.

barrela: faiado sobre os requeixos ou alcovas. Às vezes é um sítio prático para guardar a lenha ou pode usar-se como ũa extensom da barra.

Caniço, caíço, ou cainço: plataforma elevada uns dous metros sobre o nível do chão, situada em riba da lareira e no médio do ástrago. Como está em riba do lume é especialmente ajeitada para secar produtos como chouriços, castanhas e outras colheitas. O caniço nas palhoças cumpria outra funçom. Ajudava a reduzir o perigo de as moxicas do lume saltarem até o teito e plantarem lume nele.

esteio: pé vertical para suster o teito. O mais corrente é cada palhoça ter dous, peró as mais pequenas podem ter só um ou nengum. O esteio suporta grande parte do peso do teito.

estrabariça: nũa palhoça este espaço está num plano mais baixo que a parte habitada. Ocupa ũa boa parte de extensom do chão. É o lugar reservado para a vaca ou vacas. De ser empregado também para cavalos ou porcos poderia empregar-se o termo geral de corte.

ganceiras ou gameiras: encontram-se nas palhoças que tenhem dous esteios. Venhem ser duas traves que enlaçam os esteios e sujeitam um ao outro. Proporcionam reforço e deverom ser importantes no difícil levantamento dos esteios e o teito. Também cumprem outra funçom pois o caniço descansa nelas. Das ganceiras ou gameiras colgam ũa ou mais cadeias (gramalheira) para pendurar as potas sobre o lume.

gramalheira: cadeia de ferro suspensa dũa trave, ou do caniço, com um gancho no extremo inferior para suspender sobre o lume o pote, a caldeira ou outras vasilhas onde se fai a comida.

lareira: é o lar ou fogar da palhoça, o centro da construçom. As palhoças nom tenhem chaminé e a pedra do lar, a lousa, está geralmente debaixo do cume do teito. Os principais componentes da lareira som o burro (ou gramalheira) e os escanos.

requeixo: compartimento ao lado do forno, geralmente para porcos e xatos, peró por vezes para outros animais, ou para guardar a lenha.


 

NOTÍCIAS

VINTE ANOS DE ESTATUTO

O passado cinco de Abril, quarta feira, o Parlamento Galego celebrou sessom plenária para comemorar o vigésimo aniversário da entrada em vigor do Estatuto de Autonomia da Galiza. O porta-voz de Esquerda de Galiza (ERG), Ângelo Guerreiro, é o único deputado da actual legislatura que fijo parte do Estatuto dos dezasseis, a comissom que redigiu o texto aprovado, e que integrava o Corpo como representante do Partido Comunista. Daquela etapa também resta o deputado do BNG Bautista Álvarez, actual vice-presidente do parlamento que entom nom chegou a tomar possessom do seu escano por negar-se acatar a constituiçom e por esse motivo fora expulso junto de outros dous companheiros do partido. Álvarez regressou na terceira legislatura. Na actualidade o deputado mais veterano é o porta-voz nacional do BNG, José Manuel Beiras, quem tem o seu escano em forma ininterrupta desde a segunda legislatura. Na sua intervençom recordou que o nacionalismo galego na transiçom apostou "inequivocamente" pola participaçom de Galiza num estado federal e nom reclamou a sua independência.

 

LEMBRANDO OTERO PEDRAIO

Do 22 ao 24 de Junho tiverom lugar em Ourense as jornadas sobre a vida e obra de Ramom Otero Pedraio para comemorar o 25 cabo de ano do seu passamento. O programa consistiu em palestras, relatórios e mesas redondas nas quais intervirom destacados vultos da cultura galega.

O PASSAMENTO DE SUSO VAAMONDE

Na alvorada do 17 de fevereiro morreu em Vigo o cantor Suso Vaamonde. Nascido em Rego-do-bardo, Ponte Caldelas, no ano de 1950, era o grande a musicar a poesia galega contemporânea. O sábado 19, na sua aldeia natal, forom esparsas as suas cinzas.

As letras de Suso beberom incansáveis na poesia do pais: "Sempre fum devorador de poesia. Surpresas como a de Branco Torres, onde vai que tinha lido cousinhas dele, porque vou a a biblioteca, busco, leio, tenho a fonte para fazer canções, inesgotável, e compostos na actualidade conservo mais de 200 temas inéditos. Além dos grandes, a gente que desapareceu há muitos anos sem pena nem glória, que se vai recuperando pouco a pouco, por um centenário, por que a deputaçom saca um livro ou porque se lhe dedica o dia das letras, peró claro, cada ano é um só. Se fosse ao revés, com 365 dias para tirar livros em galego e um dedicado às letras castelhanas seria fabuloso. Sigo sendo muito utópico".