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Junho-Dezembro
2001 Buenos Aires
CONTEÚDO Encerramos o 2001 e ficou assim aperfeiçoado um quarto de século ininterrupto de cursos de galego reintegrado em Buenos Aires. Celebramo-lo comendo, qual é uso, e honrando os que aqui som modelos de galecidade insubornável e nos orgulham contando -se entre nós: alfabeticamente, Denis Conles Tizado, jornalista e agudo observador social; Fiz Fernândez, médico e antropólogo; Ricardo Flores, dramaturgo e precursor do reintegracionismo nos '30; Manuel Martínez Lamela, promotor e protector dos cursos, cuja iniciativa lhe pertence; e António Pérez Prado, epistemólogo e historiador desta comunidade. Os cinco forom declarados Membros de Honra de Amigos do Idioma Galego. É tópico nestas ocasiões dizer "foi mesmo ontem quando começamos". É, foi ontem quando encetamos este percurso, intimidados pola ousadia de defrontar as cousas tal qual nos apareciam. Nom foi nada extraordinário, fora de evitar o caminho trilhado. Ganha o desportista que comete menos erros, dizem os jornais e estâm no certo. Nom cometer erros às vezes chega para atinar. O resto é a felicidade de fruir o trabalho de auto-reconhecimento que é o labor linguístico, e viver esses momentos que se pressentem históricos, talvez turvados de leve pola angústia dum futuro no que se crê mas que nom se vê. Ao começar críamos que os muros de Jericó cairiam só com tocar as trombas. Nom foi tam doado. Ao compasso do nosso crescer foi crescendo também a resistência, cada vez mais conspícua e desembuçada, mais desvendada e indecorosa. Peró, a consciência da identidade já vai sendo visível, mesmo para os distraídos. O desejado acordar do sono secular já se está a produzir, com esse ritmo e impulso que caracteriza os movimentos históricos da Galiza, de marés lentas mas inesperadas. Branco-Amor professor de galego e outros labores seus em Buenos Aires por Higino Martins Estêvez (Publicado por primeira vez em AGÁLIA n 1 33, primavera 1993)O meu contributo à biografia de Eduardo Branco- Amor é parvo, mas original e congruente com o que nos motiva e reúne: o idioma e seu ensino. Foi meu primeiro professor sistemático de galego e um dos mais férteis havidos tanto na Galiza quanto na diáspora. Esse foi o só contacto pessoal que com ele tivem. Da experiência educativa falarei adiante. Antes quijera registar alguns outros dados que cheguei a saber sobre labores remunerados que desempenhou em Buenos Aires, nos longos anos que aqui permaneceu. Branco-Amor bancário Inda que nom estou de todo certo da ordem, cuido que, se nom o primeiro, um dos primeiros empregos foi no extinto Banco Español del Rio de la Plata, instituiçom quase mítica que entre 1890 e 1914 fora a entidade financeira mais forte do mundo de fala castelhana. A crise do 30 estalou tarde nele no 35. Sucedeu-no outro banco de igual nome, já nom potência internacional como aquele, que fora símbolo da Argentina exportadora de trigo e carne que enviava milionários a Paris. Daquela explosom emergiria o Banco Central de Madrid, hoje também absorvido; seu edifício madrilense fora dantes o da sucursal espanhola "central" daquele. Muitos anos depois dele, eu também trabalhei no Banco Espanhol, no segundo, hoje liquidado. Polo ano 1965 na secretaria geral redigíamos a correspondência de toda a casa matriz. Alguém, sabedor de eu ter sido seu aluno, mostrou-me ũa missiva sua ao banco, relativa à pensom que se lhe transferia a Ourense. Em prosa magnífica, rodeava ũa solicitude com comentos que incluíam a notícia de ele ter sido também agente do banco. Orgulhei-me profundamente. Nom estou em condições de precisar os anos desse labor, mas suponho terem sido antes do 35. Anos depois, nos últimos oitenta, sendo eu o secretário do banco no seu crepúsculo, soubem que esse cargo fora desempenhado nas épocas floridas por um logronhês chamado Florentino Monasterio, que na mocidade fora companheiro de trabalho e amigo entranhável de Branco-Amor. E que dele conservava memória admirada e que fazia a sua defesa acesa quando quadrava. Ao saber isto, ele já estava retirado. Este senhor, viúvo sem filhos e com muitos sobrinhos, nos 90 era nonagenário e ainda vivia, bem afastado. Consultarom-no um par de vezes historiadores vindos da Galiza na procura de dados de Branco-Amor. Sei-no porque fum eu quem os orientou. Também sei que se fechou, sensível a quanto lhe suscitava a mágoa do tempo perdido. Se é que as pessoas, qual diz Borges, reflectem os caracteres dos seus circunstantes luminosos, talvez caiba acrescentar que o senhor Monasterio tinha forte personalidade, estilo barroco exasperado, um cúmulo atrapalhado de leituras e ũa credulidade pasmosa. Solteirom, casara idoso com ũa senhora italiana que nom lhe deu filhos e cuja morte o afectou fundamente. O caso é que o homem cria cegamente e confessava com sigilo e íntimo orgulho a sua mulher ter sido filha secreta de Gabriele D'Annunzio e a Eleonora Duse. A fantasia de ser filho de reis -D'Annunzio e a Duse foram os verdadeiros reis da Itália- fora saborosamente aproveitada para seduzir. O que para um italiano seria ocasiom de súbita gargalhada, para ele no seu candor constituía um segredo próprio de Alexandre Dumas. Ou nom? Branco-Amor vendedor de móveis Por Pérez Prado sei que trabalhou de vendedor em Nordiska Kompaniet, que foi por décadas ũa das lojas de móveis finos mais elegantes de Buenos Aires, na Praça San Martin, diante do Plaza Hotel. Dalila Saslavsky, esplêndida octogenária [nos 90], irmã do director de cinema Luís Saslavsky, sempre morou nas imediações e Branco-Amor fijo-se amigo da casa. Contodo, certo mistério devia de rodeá-lo para que Dalila se perguntasse "de qué vivia, siempre tan vestido?". Branco-Amor viajante da Editora EMECÉ Seica foi viajante da importante editora argentina. Diz -que nom lhe pagavam. Fosse por isso ou por outras circunstâncias, o amor aos livros nom era avondo para vendê-los e o episódio nom deixou amossa funda. Branco-Amor vendedor de seguros Ainda mais leve é a notícia que o mostra vendendo seguros. Nem conheço datas nem companhias. A sua palavra fácil e eloquente e a parvidade dos dados convergem na verossimilhança do labor episódico. Branco-Amor director da revista "Galicia" Na época imediata anterior à partida para a Galiza, Branco-Amor dirigia a revista "Galicia" do Centro Galego de Buenos Aires. Veo ser este praticamente o único elo orgânico com a colectividade galega. Pérez Prado testemunha ũa certa marginalidade de Branco-Amor a respeito das instituições galegas, o que foi em definitiva o que facilitou a mocidade da Associaçom Argentina de Filhos de Galegos achegar-se-lhe, num ambiente em que a idade pesava demais. Essa certa marginaçom e outras circunstâncias coincidem com a reconduçom geral de Branco-Amor para a identidade e idioma galegos, que por esses anos se precipita. Mas nom nos precipitemos nós. Antes quadra assinalar alguns labores, reais ou fantásticos, ementados polo próprio Branco-Amor. Também aqui transcrevemos dados amavelmente comunicados por António Pérez Prado. Teria actuado como "corrector de dicçom" na Comédia Argentina, corpo dramático oficial com sede no Teatro Nacional Cervantes, edificado por Maria Guerrero. Alfredo Alcon seria um dos actores com os que trabalhara. Outrossim teria dado lições particulares de oratória, precedido do prestígio da sua facúndia, sonora voz e sotaque espanhol, num meio que odeia e ama essas notas. Suponho que os leccionandos pertenceriam ao mundo dos negócios antes que a outras esferas. Inda que cumpre aplicar certa crítica às notícias procedentes de Branco-Amor, pola qualidade cunqueirana da sua fértil imaginaçom, a congruência delas é grande, e cresce muito ao sabermos, por Pérez Prado, que no seu domicílio da rua Junin poucos livros se viam -antes homem de falas vivas que de leituras longas- e que por isso mesmo salientava mais ali ũa ediçom castelhana das Instituições de Oratória de Quintiliano. Branco-Amor professor de galego A última etapa portenha de Branco-Amor estivo marcada pola presença quase sobreprotectora de três mulheres moças: Pilar Jeremias "Pirucha", que o conhecera na sua família desde pequeninha; Clotilde Iglésias "Clóti", a filha do actor galego Fernando Iglésias "Tacholas"; e Elsinha Fernândez, que o chamava "Papito Piernaslargas", empregada do Centro Galego que lhe passava a máquina inúmeros fólios e que depois pujera a livraria "Folhas Novas", que importava e vendia livros galegos. A sua morte, precisamente nos anos dos cursos, comoveu-nos fundamente. Inexplicável mesmo para os médicos, seica foi um caso agudo de anorexia nervosa. Esta magríssima mulher bem merece que se lhe dedique ũa lembrança que a resgate do olvido. Curioso para mim foi escuitar falar os seus pais, já velhinhos, que se mal nom lembro eram de Verim. Foi a primeira vez que ouvim surpreendido um galego com sibilantes sonoras. A oraçom fúnebre de Branco-Amor no enterro de Elsa -que foi gravada- seria um dos seus últimos actos em Buenos Aires. Foi Elsa Fernândez que apresentou Pérez Prado a Branco-Amor. A ideia do curso terá surgido a partir desse encontro. Pérez Prado era presidente da Associaçom de Filhos de Galegos. Em 1960, a convergência das circunstâncias fijo que aqueles moços viram em Branco-Amor o professor ideal para o curso de galego que imaginaram, mas nom se aproximarom dele sem rodeios. Era fama que cobrava o seu labor, pois que disso vivia. A encarregada de tenteá-lo foi Pirucha, pola confiança que lhe tinha. É significativo, e cumpre salientá-lo, que Pilar Jeremias retornasse alvoroçada com a notícia de que "dixera que sim" e "grátis!". A voragem que absorvia Branco-Amor para a língua e identidade galegas, desde o casticismo castelhano, era rápida e arrastava-o inexoravelmente de jeito tam soberano como talvez ninguém pudera imaginar poucos anos atrás. Branco-Amor foi o professor do primeiro curso de galego a que assistim: polo rádio soubem que se ditaria no Centro Lucense (hoje Centro Galicia), na avenida Belgrano, e alá fum. As aulas davam-se na biblioteca, no primeiro andar (para quem nom o saiba cabe ementar que esse edifício fora antes sede de várias radioemissoras, nomeadamente de Rádio Belgrano -falamos dos anos dourados do rádio, nos trinta e quarenta-, e que nele tinha trabalhado em rádio-novelas, antes do seu destino, Eva Duarte, a futura Eva Peron. O actual salom de actos era o auditório. Pola casa andou há pouco Oliver Stone na procura de cenários para o seu frustrado filme "Evita". Ao primeiro andar acede-se directamente da rua por ũa escada. Depois vem um vestíbulo com estátuas de Castelão, Bóveda, quadros e chaminé, e no fundo as portas duplas da biblioteca. No centro desta a longa e grossa mesa de leitura -tipo directório-, disposta longitudinalmente, permitia que assentassem arredor uns vinte alunos. Quando o número excedia, adia-se ũa segunda linha e também havia cadeiras para espectadores passivos nas paredes ao lado da entrada. Na cabeceira do fundo assentava Branco-Amor. Um quadro negro no lado esquerdo, segundo se entra, punha Branco-Amor em pé com certa frequência, inda que predominasse a conversa sentada, sempre a girar num texto. O primeiro foi "Merlim e Família" de Cunqueiro, do que ainda levo o saibo. De passagem, digamos a queixa de Branco-Amor com Cunqueiro. Branco-Amor sempre lhe remitia os seus livros e Cunqueiro nom correspondia. A idade madura de Branco-Amor ainda nom lhe acusara os rasgos aquilinos da face. Ũa pátina dourada da tez e cabelo caracterizava a sua imagem e convergia com ũa sua louvança frequente da loira rubidez das suas irmãs. Manejava com mestria os ritmos da palavra e era verdadeiramente grato escuitá-lo. O método consistia em ler por turno arredor da mesa, acotando e explicando quando cumpria. Lembro com orgulho ter-me ele perguntado, depois de eu ter lido por vez primeira, se era galego nativo. A gramática surgia da leitura. Inda que de facto fosse mais filológico do que prático, e apesar do prazer de escuitá-lo falar, o curso era muito participativo. Como nos cursos actuais em Buenos Aires, a concorrência era variegada em idades -apesar de ser de moços a associaçom convocante- e em origens étnicas. Na Buenos Aires cosmopolita o galego é para todos os portenhos um eco fantasmal e curioso proveniente da infância. Há quarenta ou cinquenta anos era ũa das muitas línguas da rua. Todos, crioulos, italianos, judeus, árabes, suíços, etc., percebiam-na familiarmente. De repente foi o silêncio. Tam forte era a presença das línguas estrangeiras que os italianos -que tinham um Estado- chegarom a sonhar com a supervivência da sua língua além-mar, e disso há abundantes testemunhos escritos. A diferença com o galego é que a igual presença social nom se correspondia similar consciência nos próprios utentes. Os outros sim percebiam o galego; os galegos nom. Objectivamente mesmo houvo vantagem para o galego pois os mais dos italianos na verdade falavam napolitano, genovês, veneziano ou siciliano; a defesa do toscano daquela vinha tingida do descrédito do feixismo. Peró, hoje, perdida essa presença social viva, o italiano na Argentina é a "Dante Alighieri", poderosa instituiçom com múltiplas filiais e abundantes recursos; o galego, ũa curiosidade estranhada e ũa memória da infância cada vez mais esvaída. Memória afectuosa, às vezes mais afectuosa para os outros do que para os próprios. Branco-Amor reinava soberanamente com brilho. Nom havia nele nem rasto de autoritarismo. O que sim às vezes aparecia era ũa dureza pagã quando surgia um assunto erótico. Lembro um caso em que apouvigou ũa rapariga, talvez patologicamente tímida, fazendo algo agressivamente a defesa-louvança do amor-paixom a propósito dum texto teatral seu sobre o Cântico dos Cânticos. Nom lembro exactamente as palavras, mas o tom violento da situaçom. É como se estivesse naquele momento possuído dum nume vindicativo. Suponho que na sua altura levava razom, mas eu só via a rapaza esmagada polos raios de Zeus. Nom sei porque sempre lembro o caso; a moça nom deixou de concorrer. O prazer de ouvi-lo era decisivo. Aludo ao caso por fidelidade e como confissom e prova de que as árvores nom deixam ver o bosque. O importante era o que nos acontecia com o idioma. Neste sentido outra memória interessa-me mais. Era ũa das primeiras aulas do ano 60 e fazíamos um exercício escrito, cuido que de traduçom. Polo castelhano decir pujem dicer. Ainda nom estudara filologia, mas sabia que o latim dicere continuava em português como dizer. Nom sonhava com reformas ortográficas, mas nom me entrava na cabeça que o tema dic- devesse alterar-se no infinitivo por submissom ao castelhano. Corrigiu-mo no escrito e contestei-lho a sós com essas razões. Lá na altura, escuitou e calou. Entom nom estimei na sua medida o significado subtil desse silêncio. Estava ele num período de rápida mutaçom, mais veloz do que fora de esperar, dada a idade e ponto de partida. O pormenor parece parvo, mas atesouro intimamente a memória da atençom que a minha ingenuidade lhe produzira. Que eu, longe do seu condicionamento, perguntasse era trivial. Que ele, com a carga da história, dos anos e da fama, descesse a escuitar e guardar ũa voz dissonante vinda de abaixo e de fora fala muito em favor da sua disposiçom a respeito da Galiza. O prazer de escuitá-lo delongava-se no café "Ebro" -a poucos passos do Centro Lucense-, mas eu daquela nom dispunha livremente do meu tempo para faltar às comidas familiares e poucas vezes assistim à tertúlia. António Pérez Prado, Perfeito López Romero, Ricardo Palmás (que o sucedeu na cátedra após a sua partida), a filha de Tacholas (o próprio Tacholas concorria) e outros deveriam testemunhar disso. Sei que também às vezes a reuniom se fazia no seu domicílio da rua Junin. Até julho de 1961. As lembranças vâm-se esbagoando ininterrompidamente e talvez outras venham à mente quando deixe a folha. Vejo a cara do Tacholas, de Suárez Picalho, que também vinha algũas vezes, de muitas pessoas que depois volvim a ver e de outras que perdim. Mas, apesar dessa aparência fantasmal, hei dizer que aquilo nom foi tempo perdido, inda que às vezes a nostalgia melancólica procure arremedá-lo: foi semente viçosa que nom deixou de crescer. Estou certo de que Branco-Amor, na sua longa odisseia, foi afinal feliz porque a vida lhe deparou a inopinada fortuna, a inefável graça de enlear-se com Galiza quando todo indicava que a perdera para sempre. Foi feliz ao salvar-se e fijo feliz à mãe Galiza com a obra que inesperadamente lhe tributou. Higino Martinez Estêvez O que a etimologia de ORRACA vem desvendar Intriga há muito a origem deste sonoro nome, tam grande na Idade Média, depois subitamente esvaído quase sem deixar rastos. Trevas antes e trevas depois. Pouco conta o apelativo castelhano urraca "pega", que, como diz Coromines, nom é outro que o antropónimo aplicado ao pássaro, que em todas as partes leva nome de mulher polo arremedo dũa gárrula voz supostamente feminina; aparece a meados do séc. XVI, quando já Urraca saíra do uso como nome de mulher. Coromines, trás rejeitar hipóteses etimológicas caducas, suspende a pesquisa considerando-o pré-romano, "quiçá ibérico e mesmo acaso aparentado com o basco". Qual costumava, Coromines, de nom chegar a resultado definitivo, sempre ao menos deixava campo ordenado, com dados suficientes para acabar a busca. Tentá-la-emos, mas antes assentemos alguns factos, pertinentes e nom tidos em conta, que talvez serâm decisivos na hora de etimologizar. Dados históricos 1) O nome aparece no séc. IX, abunda até o XIII e depois languidece até fins do séc. XIV. 2) Nos três primeiros séculos, as Orracas (ou Urracas castelhanas) todas som rainhas mulheres de reis. Só depois do séc. XIII, começam a levá-lo mulheres que nom som esposas de reis ou que nom reinam. 3) Quanto ao espaço, dá-se em todo o Norte, do Atlântico ao Mediterrâneo. Devo contestar, respeitosa e firmemente, o asserto do DCECeH de considerar raro o nome em galego-português e de empréstimo castelhano. Por caso, leva-o sem ser castelhana a filha de D. Afonso I de Portugal, casada com Fernando II de Leom. O ponto segundo é essencial. Vejamos alguns casos. A primeira que registo, na Crónica Galega, é a devota mulher de Ramiro I de Leom (reinou de 842 a 850). Em Navarra chama-se assim a mulher de Garcia Éneguez, reinante de 851 a 870, morta dũa lançada moura que lhe provocou o parto. No séc. X, destaca o caso da filha de Sancho I de Navarra. Este era de Cantábria e ganhara Navarra polas armas. Das quatro filhas que lhe nascerom, Sancha, Orraca, Maria e Velasquita, só a segunda casou com rei, o de Leom. Outro caso curioso é o das duas Orracas sucessivas de Fernando II de Leom, ũa a ementada filha do rei de Portugal, a outra Orraca López, filha de Lopo senhor de Haro. Concluamos com ũa notável, a rainha de Aragom entre 1137 e 1162, que quando nasceu "disserom Dona Peroniela (Petronila). Mas mudarom-lhe depois o nome et chamarom-lhe Dona Orraca. Et esta Dona Peroniela foi casada com o conde Dom Reimom de Barcelona." (Crónica Galega, pág. 291, 53) Veremos depois o porquê da mudança de nome. Da rápida pesquisa surge que nos sécs. IX, X e XI todas som esposas de reis. No séc. XII vemos duas que som rainhas por direito próprio, Petronila-Orraca de Aragom e Orraca de Castela e Leom, rainha per se de 1109 a 1126. As variantes formais dos documentos Orraca é a forma galego-portuguesa mais documentada.Ũa Orracca com duplo C, em documento de Coimbra do 1094, só testemunha a erudiçom do copista, que conhecia a equaçom latina da oclusiva velar surda intervocálica do vulgar. O seu O inicial átono é irrelevante. É graficamente convencional como todos os átonos, nomeadamente o de posiçom final absoluta, O que nom responde nediamente ao vocalismo latino-vulgar de tipo "napolitano", e que hoje sabemos sempre foi foneticamente U. Decerto informa mais o documento castelhano do Norte (Cantábria?) datado em 1285, que Coromines topa em M. Pidal (Documentos Lingüísticos de España, 67.18, 23, 24). Três vezes aparece ali Vurraca e ũa vez Burraca. Daí me veo a ocorrência que surpreendido agora vou expor. Essa grafia aponta inelutavelmente para inicial semiconsoante, quer dizer, para uau. Uau que fechou e consonantizou, qual mostra o texto. Esse uau, no séc. XIII e na península ibérica, parece de todo exótico e insólito. Podemos pretender ignorá-lo ou despachá-lo com um expediente qualquer, e também podemos continuar indagando por ver o que nos aguarda ao cabo do caminho. Talvez assim atinjamos algum resultado globalmente congruente. Buscar o étimo, reconstruir o monstro À vista das grafias O-, U-, Vu- e Bu-, parece haver aí representaçom do fonema uau. Vurraca -a letra do documento deveria estudar-se in situ- apresenta a letra W, inventada dos anglo-saxões para o uau e rapidamente espalhada alhures. Se o texto de 1285 nasceu no Caminho Francês, pudera ser de escriba transpirenaico. Bu- também representa uau, limítrofe com a consoante pura e decodificado diversamente. A nossa grafia O, abrangente, resolvia-se pola simplificaçom. Admitir o uau soa ousado. É supor o grupo wr-, normal noutras línguas indo-europeias, nom nas românicas. Vemo-lo de cote no inglês e em geral no germânico. E foi céltico; no insular subsistiu até perto do séc.VII. Em gaélico mudou em fr-, em britónico em gwr-. No nosso caso o que há exatamente nom é wr-, senom wrr-. É um R similar ao inicial, de comportamento paralelo: o R inicial hispânico e gascom foi reforçado polo substrato céltico (Jungemann, La Teoría del Sustrato y los dialectos hispano-romances y gascones, Madrid, 1955, p. 258)1. Logo lemos Wrraca. Que cabe notar Wrraka, pois que nom é voz românica, inda que instalada em meio bilíngue. O resto é fácil de reconstruir: o -c- intervocálico vem de -cc-. Tanto o reforço do R-/WR- quanto a simplificaçom de geminadas som fenómenos solidários na leniçom. Logo Orraca-Urraca-Vurraca-*Wrraka aponta para um étimo *WRAKKA. Razoável é buscar no mundo pré-romano ou no germânico. Neste nom se vê nada. Os fenómenos de leniçom, paralelos aos substráticos dos romanços hispânicos, induzem a busca no céltico.*WRAKK }Há palavras célticas deste feitio? Existem sim, e nom posso crer que nom se tenham notado antes. O gaélico antigo tinha fracc "mulher; esposa", que hoje só subsiste no escocês frag "íd.". Em britónico há galês gwrach "bruxa", córn. ant. gruah, mod. gwrah, bret. méd. groach, mod. groac'h (Léon grac'h) "velha". Veem todas do étimo céltico antigo que encabeça o parágrafo: * WRAKK} "esposa", com câmbios semânticos fáceis de compreender. "Esposa", sentido jurídico, amoleceu no simples "mulher", que depois esvararia erraticamente. A forma escocesa é "mulher, esposa", segundo Thurneysen, de conotações positivas: "a kind wife".Donde vinha *WRAKK }? Em céltico era forma hipocorística -coloquial e acarinhante- da positiva *WRAKâ, WRAKONOS f. "esposa", de tom só jurídico. Desta segunda vem o galês gwraig (< *wrak§ < *wrakã), córn. ant. grueg, greg, médio gurek, mod. gwrg, bret. médio gruec, mod. groek, grouek, Léon grek. A formaçom do hipocorístico é a usual: reduçom, geminaçom expressiva, atraçom do morfema -},típico do género feminino. Reduçom e geminaçom é a de Eporedorix a Eppos e de tantos casos modernos. Para além nom há étimo indo-europeu certo. Pedersen compara-o com o lat. virgÇ, virginis, próximo mas nom igual, que o Ernout-Meillet declara de origem ignota. A meu ver atina Pedersen: *wrakã céltico e virgÇ latino nom só teem feitios próximos, também semânticas contíguas. A noçom original comum será "esposa, desposada", de puro conteúdo jurídico. O latim primeiro só focaria o lapso entre o contrato de esponsais e o começo de coabitaçom, entanto que o céltico usou dele para todo o tempo de vigor do contrato matrimonial. Será tudo ũa alucinaçom? Como dar-se tantas coincidências? Se chegamos aqui, sigamos a avançar confiados. A história logo seria: céltico comum *wrakã, wrakonos > hipocorístico *wrakk~ > céltico hespérico *wrraka, já lenido, > romances orraca e urraca.Corolários a) Sabemos cada vez melhor quam pouco sabemos do ambiente cultural e linguístico de fins do primeiro milénio da era cristã. Constantemente aparecem dados susceptíveis de pasmar-nos, mas teimudamente continuamos a dizer que "o rei vai bem vestido". b) Nesse tempo falava-se céltico no Norte, ao menos entre os montanheses iletrados da cornija cantábrica, do Atlântico ártabro aos autrigones, depois basconizados. Só se escrevia latim e logo é natural que nom ficassem rastos, fora a toponímia. O que nom era latim era invisível; mesmo os vulgares romances eram fantasmais. Do elenco das portadoras do nome deduz-se o nome estar vivo nos séculos IX e X ao menos. c) O Reino de Leom (seu território era o da Gallaecia romana, da que era continuaçom para cristãos e muçulmanos) era entom âmbito rude e iletrado. Os montanheses que apenas falavam céltico -um céltico arcaico, próximo do gaélico- nessa sua língua residual chamavam de Esposa, por excelência, à do rei. Até o séc. XII entendeu-se assim e só se atribuiu a rainhas por casamento. Desse século som duas rainhas por direito próprio desse nome. O caso de Petronila-Orraca é ambíguo; dela ementam o câmbio de nome e a seguir o matrimónio com o conde de Barcelona. A Orraca castelhana, rainha de 1109 a 1126, a meu ver já mostraria opacidade: em céltico seria *R§gan§, nom *Wrakk~. d) Nom havia grandes diferenças entre céltico cântabro e calaico, pois que o vocábulo parece compartido pola cornija cantábrica2. e) A presença da palavra mesmo em Navarra e Aragom a meu ver indica o céltico ainda valer como língua franca popular, misturada com proto-romance mas com estruturas próprias subsistentes, e ainda só parcialmente substituída na funçom polo latim, língua franca culta. Coincide com a constataçom pasmosa de Pompaelo e Barcino nom dar os regulares *Pamplon e *Barcelon, senom Pamplona e Barcelona; quer dizer, nom vir dos acusativos latinos Pompaelonem e Barcinonem, mas dos célticos *Pompailonan e *Barkinonan. Nesta luz dá mais clara a etimologia barscunes/bascunes de Tovar. Os bascos, isolados há muitíssimo, preservarom a identidade usando sempre constitucionalmente duas línguas, a própria e íntima, e a exterior ou franca. A franca primeiro foi o céltico -por mais tempo do que se supunha-, depois e superpondo-se o latim, agora o francês e o castelhano. E esse uso nom seria só dos bascos, mas também dos iberos.
Corre sério risco de ser alcunhado de tolo quem afirme o latim no séc. X ainda nom ter acantoada de todo a língua céltica, e ainda mais que esta ainda lhe disputava posições de língua franca popular. Só tenho que dizer que nom som em absoluto responsável do que emergiu ao abrir este embrulho secularmente fechado. Notas 1 Via diversa andou o célt. *wroikos "urze": lat. hisp. *broccius > cast. brezo. Quer dizer, céltico > latim provincial > romance. Em Orraca, observamos a passagem direta de céltico a romance. 2 Tal qual também nom as havia entre calaico e lusitano, conforme testemunha o Promontorium Artabrum (Plínio IV 113), atual Cabo da Roca, no norte da foz do Tejo.Viajando polo dicionário... Colaboraçom de Manuel Iglésias Iglésias Almalho, s. m. (1) Touro semental, de posto. (2) Bezerro. Balume, s. m. (1) Todos os despojos que bota o mar e que servem para adubar as terras. (2) Mato que se estende como cama na corte e se converte em esterco. Estrume. Esterco. (3) Conjunto de cousas amontoadas. (4) Feno. Erva segada que serve para alimento do gado. Bragada, s. f. (1) Parte da perna coberta polas bragas (calções). (2) Parte do corpo das bestas desde as virilhas até as coxas. (3) Barriga da perna. (4) As ovas dos peixes, pl. Veias da perna dos cavalos onde se sangram. Broulha, s. f. (1) Borbulha. Furuncho. (2) Pintas vermelhas do sarampo. (3) Nó redondo dos troncos das árvores. (4) Botom, brocho das plantas. Canzil, s. m. Cada ũa das duas peças feitas dũa vara de madeira, redonda e delgada em forma de U, que se introduzem na alavanca do jugo, por abaixo, e desempenham o ofício das cangalhas. Sujeita-se por meio dũa caravilha na parte superior e tem ũa asa para um cordel. Var. Chanzil. Sinón. Cangalha. Doudice, s. f. (1) Falta de juízo. Sinón. Loucura. (2) Acto ou palavras próprias de doudo. Sinón. Disparate, parvada, toleima. Empinja, s. f. (1) Erupçom cutânea e vesiculosa formada por borbulhas vermelhas que se convertem em crosta. (2) Herpes simples. Sinón. Empingegas, empinjo, espinja. Falchoca, s. f. Espécie de faldriqueira comprida que pende dos ombros sobre peito e costas. Gandujo, s. m. (1) Espécie de costura que apresentava ũa série de dobras ou rugas na parte em que se deviam unir cada ũa das peças de pano que formavam o vestido, almofada, etc. (2) Qualquer costura mal feita e que apresenta rugas. (3) Alinhavo. Costura de pontadas longas feita na ourela para que nom se desfie. (4) Boné de pano, liso, que se punha aos recém-nascidos por baixo das carapuças adornadas. Loc. Adv. A gandujo: di-se do que se cose a pontadas longas, deixando rugas ou dobras; fazer costuras mal feitas. Godalha, s. f. (1) A cabra na época do cio. (2) A porca. (3) Trapaça, ardil para evitar ũa liçom. Locs. Fazer a godalha: nom acudir à escola sem causa justificada, ocultando-se. Pintar a godalha: perder o tempo xogando. Manido, adj. Estragado, danado. Quatralvo, adj. e s. (1) Vesgo, torto. (2) Fig. Torto, que nom obra com rectitude. (3) Mau ou mal intencionado. (4) Traidor. Riosta, s. f. (1) Corda de linho. (2) Madeiro que se pom obliquamente para reforçar um esteio. (3) Travessa longa para segurar um caneiro feito de tábuas. (4) Cada ũa das peças de madeira que formam um conjunto num edifício ou local. (5) Cada um dos cangos reforçados que se ponhem no aleiro do telhado para reforçá-lo e dar-lhe mais altura. Toro, s. m. (1) Tronco de árvore limpo de polas e serrado. (2) Parte da árvore onde termina o tronco e começam as polas. (3) Tronco do corpo humano ou doutro animal privado de membros. (4) Porçom de qualquer cousa cortada transversalmente: Apom-me dous toros de pescada@. NOVO CONSELHO EM AGAL Na assembleia celebrada no 14 de Julho passado os membros da Associaçom Galega da Língua acordarom candidaturas de consenso para reger a sua actividade no futuro. A presidência mantida durante vinte anos pola linguista professora Maria do Carmo Henríquez Salido será exercida desde a data devandita polo professor Bernardo Penabade Rei, antigo colaborador e amigo nosso, enquanto que o professor Isaac Alonso Estravis se desempenhará como secretário. Além deles, integrarâm o Conselho: Charo Fernândez Velho, vice-presidente; Jesus Miguel Conde, tesoureiro; Óscar Diaz, contador, e os vogais Silvia Capom, Crisanto Veiguela, Francisco J. Fontainha e Valentim Rodríguez Fagim. Depois da reuniom, Bernardo Penabade Rei assinalou para o futuro dous alicerces chaves da instituiçom, a revista AGALIA e a Comissom Linguística, que funcionarâm com autonomia, coordenadas por José Carlos Quiroga Díaz e Carlos Garrido respectivamente. Penabade salientou também que na assembleia se elogiou o labor que durante vinte anos de gestom desenvolveu a professora Henríquez Salido com sessenta números da revista AGALIA, cinco congressos internacionais e mais de trinta livros. Da nossa parte lembramos a Maria do Carmo na presidência de honra dos dous simpósios internacionais organizados polos "Amigos do Idioma Galego" com o patrocínio do Instituto Argentino de Cultura Galega nos anos 1984 e 1985.
GALIZA, O NOME LEGÍTIMO DO PAÍS A nossa posiçom a respeito do nome da Galiza já foi expressada em várias ocasiões, nomeadamente no editorial do Boletim ADIGAL número 14. Compraz-nos agora reproduzir, normalizada, a nota que ao respeito publicara "O Correo Galego" o 22-7-2001. "Para normalizar Galiza, legaliza Galiza!". Sob o lema os promotores da iniciativa -que ontem se apresentou no Instituto Galego da Informaçom (IGI)- defendem Galiza como "o nome legítimo do país". Porque, segundo o filólogo Elias Torres, é "emblema, bandeira, símbolo e legitimaçom do que foi o projecto histórico do galeguismo". As razões -entendem os impulsores do documento que, sem implicar ũa revisom da normativa, procura dirigir-se aos cidadãos- nom deveem de nenhum descobrimento, nem som algo novo. Galiza, apontou o também filólogo José Luís Rodríguez, é "a única forma que aparece nos escritos da Idade Média, quando a língua funcionava como veículo normalizado, nom interferida polo processo castelhanizador", e Galiza foi, aclara o documento, "elemento identificador dos desejos e objectivos do galeguismo histórico que exemplifica Castelão e o seu Sempre em Galiza. Com muitas das assinaturas que secundam a iniciativa nas cadeiras do auditório do IGI -Manuel Maria, Pilar Palharês, Vidal Bolanho, Francisco Pilhado, Emílio Cão, Tereija Navaza, López Suevos, Carlos Quiroga, Bernardo Penabade...- foi o empresário Isaac.
A REAL ACADEMIA GALEGA REJEITOU ŨA NORMATIVA DE CONCÓRDIA Desde a sançom em 1982 da actual normativa linguística, houvo alguns intentos de acordo que nom chegarom a concretar-se. Há pouco, o oficialista Instituto da Língua (ILG) , as três universidades da Galiza e a Associaçom Sócio-Pedagógica Galega (AS-PG) assinarom um acordo normativo de mínimos polo que procuravam achegar-se da tradiçom comum. Algũas das propostas acordadas forom a seguintes: AO para grafar a contracçom da preposiçom A e o artigo O; signos de interrogaçom e admiraçom só no cabo da frase; desapariçom do C nos grupos CT precedidos de vogal fechada, como em conduta e ditado. Pois que, segundo a lei vigente, os órgãos incumbidos para reformar a ortografia som o ILG e a Real Academia Galega, as propostas consensuadas -que já tinham a aprovaçom do ILG- deviam ser aprovadas pola RAG para ser efectivas. O 17 de novembro a Real Academia Galega congregou 21 dos 25 académicos nũa reuniom signada polo segredo. Em votaçom secreta a maioria pronunciou-se contra a nomativa de concórdia elaborada em vários meses de trabalho polos linguistas das três universidades, do ILG e da AS-PG. Trás a reuniom alguns diziam "a Academia impujo a sua autoridade".
Fernândez del Riego, o seu presidente, explicou que a proposta de consenso "se
rejeita só por razões linguísticas" e salientou, como para espantar possíveis
fantasmas políticos, que "nom houvo outro tipo de razões". O GALEGO CHEGA ÀS ESCOLAS DO BERZO Desde o 14 de janeiro os alunos de EGB (primeiro ensino) das escolas de Cacavelos e Corulhom, no Berzo, receberâm aulas de língua galega. O reclamo desta escolarizaçom vinha de anos atrás e por vez primeira adquiriu carta de natureza. A oferta educativa, promovida pola conselharia de educaçom da Junta de Castela e Leom, cinge-se a ũa hora semanal dentro do horário da disciplina Conhecimento do Meio, o que lhe reduz sensivelmente a eficácia. Em total quinze horas semanais para cento dez alunos, que poderâm optar entre assistir ou nom à matéria. Polo visto a admissom como cadeira independente ultrapassava as limitadas pretensões da Junta sobre a língua comum na raia. Para o colectivo "Fala Ceive do Berzo" a iniciativa nom chega "porque às limitações de horário e submissom a outra matéria cumpre agregar a escassez de meios pedagógicos ajeitados". Em dezembro esta associaçom cultural já reclamava a contrataçom de professores de galego porque já eram três os centros que o demandavam. O Colégio Público de Caruzedo, que também o solicitara, polo de agora nom entrou na planificaçom da Junta de Castela e Leom, que além do mais tomou a decisom quando já rematou um terço do curso. O acordo de cooperaçom da "Xunta de Galicia" com o governo de Castela-Leom para o ensino do galego "ocidental" foi assinado o passado 17 de julho. A comissom mista acordou que no ano 2002 se implantaria o galego na primária, adiando mais um ano a presença na secundária. Ao tempo que se produzia este evento -que apesar da sua
limitaçom é histórico para o galego-, o concelho de
Veiga de Valcarce renunciou recentemente à cooficialidade do galego, que adoptara
anteriormente o concelho em pleno. Apesar da renúncia, a alcaidessa Luísa Ganzález
mostra-se favorável ao galego e declara-se aberta a colaborar com a Junta no fomento do
galego no seu concelho. Anunciou também a contrataçom dũa animadora juvenil que
impartirá aulas em galego a todos os vizinhos que o desejem.
INACIU IGLESIAS: "EM ASTÚRIAS TEMOS DOUS IDIOMAS, O GALEGO E O ASTURIANO"
Por que o título DAR A CARA para ũa compilaçom de artigos? Num dos artigos afirma que as línguas em Astúrias som o asturiano e o galego. Nom
levanta feridas? E o castelhano? Quer que os artigos sirvam para a reflexom do nacionalismo asturiano. Em que ponte
se acha este? O senhor é o editor do periódico "Les Notícies". Vâm a
contra-corrente? (A Nossa Terra, n1 1017, pág. 36)
SANTIAGUINHO Setembro * Mão a mão andache Lezer aprazível Hoje estás tam longe!, Eu sonho com ver-te, * Quatro dentes tem Santiago Já medrarás, Santiaguinho, Eu desejo que na vida * |